Economia

Ata do Copom: BC eleva preocupação com inflação, mas evita sinal claro sobre próximos passos; confira

23 jun 2026, 8:40 - atualizado em 23 jun 2026, 8:40
ata do copom selic juros
(Imagem: Divulgação/Banco Central)

O Banco Central publicou na manhã desta terça-feira (23) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.) para 14,25% ao ano. Após leituras diferentes do mercado em relação ao comunicado da semana passada, o documento de hoje vem para detalhar a condução da política monetária.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na ata, o comitê destaca que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências nas condições financeiras globais.

Além disso, a equipe segue em tom cauteloso em relação a volatilidade de preços de ativos e commodities.

Cenário doméstico

Do lado doméstico, o Copom avaliou que a atividade econômica segue em trajetória de moderação, em linha com o esperado pela autoridade monetária. Na ata, o colegiado reforçou que “o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”.

O Banco Central também destacou que os efeitos da política monetária restritiva continuam sendo observados na economia, especialmente por meio da desaceleração do crédito. Segundo o documento, os impactos dos juros elevados “ainda se fazem sentir por meio da desaceleração do saldo de crédito, em particular de créditos livres”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O mercado de trabalho também permaneceu no radar da autoridade monetária. O comitê observou que a taxa de desemprego segue em patamares historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais continuam avançando acima da produtividade. Nesse contexto, o BC afirmou que segue atento à transmissão dos níveis de ocupação para os salários e, posteriormente, para os preços da economia.

Na frente fiscal, o tom continuou duro. O Copom voltou a defender a necessidade de políticas fiscal e monetária alinhadas e alertou que “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública” podem elevar a taxa de juros neutra da economia e aumentar o custo do processo de desinflação.

Inflação é o principal destaque

A inflação segue em destaque na discussão. O BC afirmou que houve uma “desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos”, especialmente para 2028, e ressaltou que esse movimento dificulta o trabalho da política monetária, porque reduz a confiança de que a inflação convergirá para a meta no tempo esperado.

Na avaliação do comitê, quando as expectativas ficam desancoradas, o processo de desinflação tende a exigir uma postura mais dura por parte da autoridade monetária, com juros mais altos por mais tempo do que seria necessário em um cenário de maior credibilidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Banco Central também indicou que esse quadro aumenta a sensibilidade da economia a novos choques e reforça a necessidade de vigilância sobre a evolução dos preços administrados, dos serviços e dos núcleos de inflação, que costumam responder de forma mais lenta à política monetária.

Além disso, o comitê reconheceu que os dados mais recentes de inflação já refletem os impactos do conflito no Oriente Médio. Segundo a ata, as últimas divulgações de inflação ao consumidor e ao produtor mostraram “sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio”, ficando “significativamente acima dos inicialmente esperados”.

Diante desse cenário, o Copom reiterou que os próximos passos dependerão da evolução dos dados e do balanço de riscos para a inflação. O documento revelou ainda que os diretores discutiram trajetórias alternativas para a Selic envolvendo “diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração”, reforçando que o processo de definição dos juros segue em aberto.

Próximos passos

Em relação à condução da política monetária, a ata indicou que o Copom pretende manter uma postura cautelosa diante do aumento das incertezas. O comitê afirmou que o cenário atual é marcado por riscos elevados e assimétricos para a inflação, especialmente em função dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços de energia e das expectativas inflacionárias ainda desancoradas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o documento, os diretores avaliaram diferentes trajetórias para a taxa Selic, incluindo cenários que combinavam momentos de pausa e eventual retomada do ciclo de ajustes. O BC destacou que essas alternativas permitiriam a convergência da inflação para a meta sem gerar volatilidade excessiva sobre a atividade econômica e os mercados financeiros.

A autoridade monetária reiterou ainda que a magnitude dos próximos movimentos dependerá da evolução do cenário econômico e dos riscos para a inflação. “A magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário”, afirmou o comitê.

No trecho final da ata, o Copom reforçou que pretende incorporar novas informações sobre a profundidade e a duração dos conflitos no Oriente Médio antes de definir os próximos passos da política monetária, mantendo uma postura de “serenidade e cautela” diante do ambiente de elevada incerteza.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar