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Magalu (MGLU3): Fred Trajano dobra aposta nas lojas físicas e mira Amazon para reaquecer vendas online

07 ago 2026, 12:00
Frederico Trajano Magazine Luiza (1)
Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza (Imagem: Divulgação)

O CEO do Magazine Luiza (MGLU3), Fred Trajano, aproveitou a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) para reforçar que a companhia entrou em um novo ciclo estratégico, focado em duas frentes principais: fortalecer a liderança omnichannel com apoio de inteligência artificial e acelerar a monetização de serviços por meio de negócios como MagaluPay, Magalu Ads, Magalu Cloud e Magalog.

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Segundo o executivo, o principal destaque do trimestre foi o desempenho das lojas físicas, que voltaram ao centro da estratégia da varejista.

As vendas nas mesmas lojas (SSS) cresceram 9,7%, impulsionadas pela Copa do Mundo, mas Fred ressaltou que o avanço não se limitou à categoria de televisores. Linha branca e móveis também registraram crescimento relevante, reforçando, segundo ele, o ganho de participação de mercado da companhia.

“A gente está sendo muito estratégico em focar o nosso crescimento onde conseguimos obter mais rentabilidade”, afirmou o executivo. Na avaliação de Trajano, o ambiente online segue mais competitivo e menos racional do ponto de vista de preços, enquanto as lojas físicas oferecem maior potencial de geração de margem.

Ao comentar a desaceleração do e-commerce, que registrou queda de 12% no volume bruto de mercadorias (GMV) no trimestre, o CEO defendeu a estratégia de preservar rentabilidade mesmo à custa de participação de mercado.

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Segundo ele, a companhia repassou ao consumidor a alta dos custos globais de componentes de memória, o que afetou categorias como telefonia, informática e games.

“A gente cresceu em loja física, onde está dando rentabilidade, e abriu mão um pouco de share no online”, disse. “Mas isso não significa que não estamos trabalhando para retomar esse crescimento.”

Amazon é aposta para acelerar vendas digitais

Para recuperar o desempenho do canal online sem comprometer margens, o Magazine Luiza está apostando na venda de produtos próprios em plataformas de terceiros. A primeira parceria anunciada foi com a Amazon, que começou a operar em junho.

Segundo Trajano, julho já apresentou vendas acima das expectativas iniciais e a tendência é de aceleração nos próximos meses. A expectativa da companhia é que, a partir do quarto trimestre, os produtos vendidos pela Amazon passem a contar com o selo Prime, ampliando a visibilidade e a conversão das vendas.

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O executivo afirmou ainda que novas parcerias devem ser anunciadas “nas próximas semanas”. A estratégia, segundo ele, busca ampliar o alcance dos produtos da companhia sem sacrificar rentabilidade.

WhatsApp da Lu e IA ganham protagonismo

Se as parcerias com marketplaces são vistas como uma solução de curto prazo, Fred Trajano deixou claro que a grande aposta de longo prazo da companhia continua sendo o “WhatsApp da Lu”.

Lançada no fim de 2025, a ferramenta baseada em inteligência artificial já superou R$ 100 milhões em vendas e contabiliza mais de 18 milhões de conversas com consumidores. Segundo o CEO, a taxa de conversão é três vezes superior à observada no aplicativo da companhia.

Para Trajano, a plataforma representa um novo modelo de comércio eletrônico, reunindo descoberta, recomendação, compra e pós-venda dentro do próprio WhatsApp. “O nosso grande foco é a Lu e a experiência de e-commerce pioneira e inovadora que criamos via WhatsApp”, afirmou.

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A companhia pretende levar essa experiência baseada em IA também para o aplicativo do Magalu ao longo do segundo semestre.

Serviços ganham peso na estratégia

Outro tema recorrente na apresentação foi o crescimento das plataformas de serviços. Trajano destacou o desempenho da Luizacred, que registrou lucro de R$ 135 milhões no trimestre, da Magalupay, que passou a originar 100% do CDC das lojas físicas, além dos avanços do negócio de seguros e consórcios.

Na área de publicidade digital, o CEO ressaltou o crescimento da Magalu Ads e citou a escolha da plataforma pela Hyundai para o lançamento do i20 no Brasil como exemplo da capacidade da empresa de monetizar sua audiência.

Já a Magalu Cloud alcançou mais de 1,7 mil clientes e recebeu aprovação para uma linha de financiamento de R$ 300 milhões do BNDES destinada a pesquisa e desenvolvimento. Segundo Trajano, a soberania de dados se tornou uma oportunidade importante para o negócio de computação em nuvem da empresa.

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Encerrando sua apresentação, o executivo afirmou que os resultados do trimestre mostram que a empresa está avançando nos pilares definidos para o novo ciclo estratégico da companhia.

“Temos muitos motores de criação de valor para os acionistas e acreditamos que o segundo trimestre demonstrou que estamos no caminho certo”, disse.

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Magalu no 2T26

O Magazine Luiza reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões reportado no mesmo período em 2025.

Já na linha ajustada, que desconsidera as receitas e despesas não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões, ante lucro ajustado de R$ 1,8 milhão no mesmo período do ano anterior.

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Apesar do resultado, o segundo prejuízo neste ano após a entrega de lucros em 2025, o tom da administração é positivo no que diz respeito aos próximos trimestres.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o desempenho operacional, foi de R$ 675,3 milhões no 2T26, uma queda de 1,7% na comparação anual. Na linha ajustada, a cifra é de R$ 708,8 milhões, recuo de 2,5% na comparação com o mesmo período em 2025.

A receita bruta da companhia totalizou R$ 11,1 bilhões, um recuo de 2,2% na comparação anual. Já a receita líquida recuou 2,6%, totalizando R$ 8,89 bilhões no período de abril a junho deste ano.

O que o mercado achou?

Os analistas tiveram uma leitura mista dos números do Magalu. Embora a companhia tenha apresentado rentabilidade operacional melhor do que o esperado, a fraqueza das vendas e o prejuízo acima das projeções continuaram gerando cautela em parte do mercado.

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Para o JPMorgan, o resultado reforça os desafios enfrentados pela varejista em um ambiente de demanda mais fraca, juros elevados e forte concorrência no comércio eletrônico.

O banco destacou a queda de 12% no GMV online e avaliou que o crescimento das lojas físicas não foi suficiente para compensar a desaceleração do canal digital, mantendo recomendação underweight, equivalente à venda, para as ações.

Já o BTG Pactual adotou uma visão mais positiva. Na avaliação do banco, o trimestre mostrou que a companhia tem conseguido preservar margens mesmo diante da retração das vendas online, graças ao controle de despesas, à disciplina comercial e à maior contribuição da Luizacred para os resultados.

Para o BTG, a estratégia de priorizar rentabilidade e eficiência operacional segue avançando, ainda que o crescimento permaneça limitado. Por isso, o banco manteve recomendação de compra para os papéis, enquanto o mercado continua monitorando a capacidade da varejista de retomar a expansão das vendas digitais sem comprometer a lucratividade.

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A XP Investimentos avaliou os resultados do Magazine Luiza como fracos, mas em linha com as expectativas. Para a corretora, o principal ponto de pressão continua sendo o e-commerce, que segue afetado pela concorrência acirrada e pelo repasse dos maiores custos de eletrônicos aos consumidores.

Por outro lado, as lojas físicas voltaram a mostrar força, impulsionadas pela Copa do Mundo e pelos ganhos de participação de mercado.

A casa também destacou a resiliência das margens e o bom desempenho da Luizacred, mas avalia que o ambiente para o crescimento segue desafiador. Apesar de enxergar potencial na parceria anunciada com a Amazon e em novas iniciativas da companhia, a XP manteve recomendação neutra para as ações.

O Citi também manteve uma postura cautelosa. Na avaliação do banco, os resultados do segundo trimestre ficaram, em sua maior parte, em linha com as expectativas, com destaque positivo para a força das lojas físicas e a disciplina na gestão de custos.

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As vendas nas lojas avançaram acima do esperado, enquanto a margem bruta permaneceu estável, demonstrando resiliência mesmo em um ambiente de consumo ainda desafiador.

Por outro lado, o Citi destacou que a forte queda do GMV online e as despesas financeiras elevadas continuam limitando a recuperação dos lucros da companhia.

Segundo o banco, a concorrência intensa no comércio eletrônico e o alto nível de alavancagem em um cenário de juros elevados seguem pressionando os resultados, razão pela qual manteve recomendação neutra, com classificação de alto risco para as ações.

As ações do Magalu abriram o pregão no negativo e aprofundaram a queda na primeira hora de negociação. Por volta das 12h, os papéis recuavam 8,10%.



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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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