Auren Energia (AURE3) salta até 5% após resultados do 4T25; o que fazer com as ações?
A Auren Energia (AURE3) reverteu o prejuízo em lucro líquido no quarto trimestre (4T25) e, em reação, as ações da companhia figuram entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (4).
Por volta de 14h40 (horário de Brasília), AURE3 registrava alta de 2,85%, a R$ 11,89. Na máxima intradia, os papéis chegaram a registrar ganhos de 4,93% (R$ 12,13). Acompanhe o Tempo Real.
A companhia de energia elétrica controlada por Votorantim e CPP Investments reportou um lucro líquido de R$ 354,7 milhões no 4T25, revertendo a cifra negativa de R$ 363,6 milhões registrada um ano antes.
O que dizem os analistas?
De forma geral, os analistas veem os resultados como positivos e acima das expectativas, mas com riscos estruturais importantes que precisam ser gerenciados. A recomendação segue como “neutra” para a maioria.
Na avaliação do Safra, destaque do balanço foi o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que somou R$ 1 bilhão – 68% maior do que a estimativa do banco e 9% acima do consenso do mercado.
“O beat em relação ao nosso número é explicado principalmente por menores custos de compra de energia, refletindo um balanço energético mais favorável”, escreveram os analistas Daniel Travitzky, Carolina Carneiro e Ricardo Bello, em relatório.
Para eles, a companhia apresentou um “balanço energético mais favorável, apesar dos altos níveis de curtailment [cortes obrigatórios de geração de energia] e da pressão negativa do GSF [sigla para Generation Scaling Factor, uma medida de risco hidrológico]”.
O Itaú BBA também destacou a “pressão negativa” dos efeitos de redução de produção e do GSF. Os analistas, porém, avaliam que esses efeitos foram compensados pela sólida redução de custos e pelos ganhos com modulação.
Na mesma linha, o UBS BB avalia que os resultados do 4T25 mostraram que companhia continua entregando melhorias operacionais, principalmente nos ativos adquiridos da AES Brasil, e que a Auren deve manter essa trajetória.
Os analistas, por sua vez, chamaram a atenção para a alavancagem ainda elevada. “Entendemos que o elevado curtailment, a alavancagem e os juros devem continuar sendo ventos contrários relevantes no curto prazo”.
O que fazer com as ações agora
Os analistas mantiveram as recomendações para as ações AURE3.
A XP, que tem recomendação neutra para os papéis da companhia, considera que a tese de investimentos se sustenta por três pilares:
- uma solução estrutural para o problema crescente de curtailment que o segmento de renováveis vem enfrentando;
- a continuidade do turnaround e da integração da aquisição da AES; e
- a comprovação de que a trajetória de geração de caixa/desalavancagem é factível.
Mas para os analistas Raul Cavendish e Bruno Vidal, a aquisição da AES Brasil foi feita em um momento de crescente incerteza para o setor de renováveis, em uma transação altamente alavancada.
“Qualquer frustração nos fluxos de caixa de curto prazo pode ser determinante em relação ao retorno prospectivo de uma alocação de capital tão relevante”.
Confira as recomendações e preços-alvo dos bancos e corretoras que o Money Times teve acesso:
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de valorização* |
|---|---|---|---|
| Ágora Investimentos/Bradesco BBI | Neutra | R$ 15,00 | 29,76% |
| BTG Pactual | Compra | R$ 16,30 | 41,00% |
| Itaú BBA | Neutra | R$ 11,37 | -1,64% |
| Safra | Neutra | R$ 9,60 | -16,96% |
| UBS BB | Neutra | R$ 12,00 | 3,81% |
| XP | Neutra | R$ 12,00 | 3,81% |
*potencial de valorização sobre o preço de fechamento anterior. Em 3 de março de 2026, AURE3 encerrou as negociações na B3 cotada a R$ 11,56.