Azul (AZUL3) estreia nesta quinta-feira (9) na NYSE e abre novo capítulo após saída do Chapter 11
A Azul (AZUL3) inicia nesta quinta-feira (9) uma nova etapa de sua trajetória no mercado de capitais. As American Depositary Shares (ADSs) da companhia passam a ser negociadas na New York Stock Exchange (NYSE), a principal bolsa de valores dos Estados Unidos, sob o ticker AZUL, poucos meses após a empresa concluir seu processo de reestruturação financeira no país.
A mudança representa a migração da listagem da NYSE American, segmento voltado principalmente para empresas de menor porte, para a NYSE. A operação não altera a negociação das ações da companhia no Brasil, que continuam listadas normalmente na B3 sob o código AZUL3, e os atuais acionistas não precisam adotar qualquer medida em razão da transferência.
A estreia na NYSE é tratada pela companhia como um marco da nova fase iniciada após a saída do Chapter 11. Em entrevistas recentes, o CEO John Rodgerson afirmou que a reestruturação deixou a Azul com uma governança mais robusta, uma estrutura de capital simplificada e melhores condições para gerar valor no longo prazo.
Segundo o executivo, a listagem na principal bolsa americana também deve ampliar a visibilidade da empresa entre investidores globais, facilitar o acesso ao capital institucional e fortalecer sua presença nos mercados internacionais.
Retorno ao mercado americano após reestruturação
A nova listagem acontece menos de cinco meses após a Azul concluir seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
Em fevereiro, a companhia anunciou a saída do Chapter 11 após cumprir todas as condições previstas em seu plano de reorganização. Como resultado, reduziu cerca de US$ 1,1 bilhão em dívidas de empréstimos e financiamentos, diminuiu em aproximadamente 40% o endividamento relacionado ao arrendamento de aeronaves e cortou mais de 50% das despesas anuais com juros.
Rodgerson afirmou ainda que a empresa encerrou a reestruturação com uma alavancagem inferior à registrada antes da pandemia. Segundo ele, quando a Azul atingiu seu pico de valor de mercado em 2019, esse indicador girava em torno de três vezes. Hoje, mesmo com o dólar em um patamar significativamente mais elevado, a alavancagem está em 2,4 vezes.
A meta agora é reduzir esse índice para 1,5 vez, movimento que, na avaliação do executivo, pode ajudar a mudar a percepção de parte do mercado de que a Azul é uma empresa excessivamente exposta às oscilações do câmbio e do preço do combustível.
Outro pilar da estratégia é ampliar a participação de receitas menos dependentes da venda de passagens. Atualmente, cerca de 25% das novas receitas da companhia já são geradas por negócios como fidelidade, logística, turismo e manutenção aeronáutica.
Segundo Rodgerson, esses segmentos permitem aumentar a geração de caixa sem exigir necessariamente a expansão da frota, tornando a empresa mais resiliente em períodos de maior volatilidade econômica.
Ao mesmo tempo, a Azul vem adotando uma postura mais conservadora na operação. No mês passado, o CEO afirmou que a companhia intensificou os cortes de capacidade diante da alta do combustível de aviação provocada pelas tensões no Oriente Médio, mantendo como prioridade a preservação de caixa e a redução da alavancagem.
Apesar desse cenário, a estratégia segue concentrada no mercado brasileiro. Nas recentes aparições na mídia, Rodgerson reforçou que a companhia pretende aprofundar sua liderança na aviação regional e doméstica, enquanto busca reconquistar a confiança dos investidores internacionais com o retorno à principal bolsa de valores dos Estados Unidos.