Azzas 2154 (AZZA3): JP Morgan vê venda da Hering como ‘improvável’, mas um fator pode mudar isso; ações caem 3%
A Azzas 2154 (AZZA3) segue nos holofotes do mercado com o futuro de mais uma das marcas do portfólio em xeque. Após uma potencial venda da Farm entrar no radar, a continuidade da Hering também surge como uma questão.
Segundo informações do Pipeline, do Valor Econômico, um grupo de acionistas que representa cerca de 11% do capital da Azzas, liderado pela família Hering, contratou a BR Partners para negociar uma emancipação da marca.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, a BR Partners inclusive já realizou uma primeira abordagem ao conselho e assessores financeiros da companhia. A ideia seria uma negociação para compra da marca ou permanecer com maior posição na Hering no caso de uma cisão da Azzas.
Na visão do JP Morgan, no entanto, o negócio é improvável, a menos que haja um prêmio significativo pago pelo ativo.
Procurada pelo Money Times, a Azzas 2154 disse que não comenta especulações do mercado e afirmou que a Hering não está à venda.
No Ibovespa (IBOV), as ações AZZA3, que acumulavam alta de cerca de 20% nos últimos cinco dias, operam do lado negativo no pregão desta quarta-feira (24). Por volta de 11h40 (horário de Brasília), a queda era de 3,23%, a R$ 19,45 e liderava as perdas do índice. Acompanhe o tempo real.
Venda da Hering é improvável?
A equipe de analistas do JP Morgan, liderada por Joseph Giordano, pondera que, dado o atual ambiente complexo na Azzas 2154, com a arbitragem rolando entre os dois principais acionistas, a empresa pode estar avaliando todas as alternativas.
"Na nossa visão, esse possível movimento reportado pela família Hering pode ter sido impulsionado pelo anúncio da companhia na semana passada de que está estudando alternativas estratégicas, incluindo uma potencial venda, para a Farm Rio — a joia da coroa da Azzas — o que sugere que vendas de ativos podem estar na mesa", dizem.
O banco gringo enxega o movimento por dois ângulos para a Azzas: uma distração e um ativo com desempenho fraco em longo processo de recuperação versus um potencial vetor de criação de valor com sinergias dentro do grupo.
Os analistas mantêm a segunda visão e, por isso, acredita que esse negócio só é provável se for pago um prêmio relevante sobre o que veem como valor justo do ativo.
"Por um lado, a Hering é um ativo maduro do varejo de vestuário, com crescimento limitado de vendas (CAGR de 3 e 10 anos de aproximadamente 4% e 8%, respectivamente) e passando por um longo processo de recuperação, com desempenho irregular de vendas desde 2011-2012. Por outro lado, existem sinergias relacionadas à gestão de franquias com as antigas operações da Arezzo", dizem os analistas.
Além disso, o banco pontua que uma equipe experiente foi trazida de volta para conduzir as operações quando o ex-CEO e parte da família, Thiago Hering, deixou o grupo.
Neste cenário, a visão é de que a Hering está mais integrado ao grupo Azzas como um todo do que a Farm, enquanto a administração vê espaço para destravar valor com uma execução melhor e mais integrada, o que sustenta a improbabilidade da venda.
"Enquanto isso, o principal vetor de criação de valor da Farm provavelmente está no exterior, onde as sinergias com o restante do grupo são limitadas, se existirem", dizem os analistas, fazendo o contraponto com o caso da Farm.
- Leia mais: A disparada da Farm Rio: de um stand numa feira cultural a uma marca avaliada em até R$ 5,5 bi
Quanto vale a Hering?
Em um cálculo aproximado, o JP Morgan estima que as operações da Hering valeriam cerca de R$ 600 milhões a R$ 800 milhões (aproximadamente 15% a 20% do valor de mercado) assumindo uma contração de vendas de cerca de 8% ao ano em 2026, margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de aproximadamente 10% e uma avaliação de 3 vezes a 4 vezes a relação EV/Ebitda.
"Ainda assim, argumentamos que a faixa de avaliação poderia ser menor, considerando os atuais níveis de valuation de outras empresas de vestuário no Brasil, que não estão passando por processos de recuperação e apresentam tendências melhores de receita", dizem os analistas.
Para que a transação fosse provável, o JP Morgan pondera que seria necessário um prêmio significativo pago pelo ativo — ou seja, um múltiplo acima dos pares, provavelmente próximo de 8 vezes a 10 vezes o EV/Ebitda, com uma margem normalizada implícita após a recuperação mais próxima dos níveis pré-pandemia (15% a 17%).
No entanto, os analistas não veem isso se concretizando dado o atual ambiente de juros e diante das tendências operacionais da Hering.
"Ainda assim, caso isso acontecesse, seria um grande desbloqueio de valor para a Azzas, já que o ativo poderia valer estimados R$ 2,5 bilhões a R$ 3,5 bilhões (cerca de 60% a 85% do valor de mercado), provavelmente sem impostos sobre ganho de capital", diz o banco.
Negociando a 5,5 vezes e 4,5 vezes o P/L (preço sobre lucro) estimado para 2026 e 2027, respectivamente, o JP Morgan mantém a recomendação Neutra para AZZA3.