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A disparada da Farm Rio: de um stand numa feira cultural a uma marca avaliada em até R$ 5,5 bi

23 jun 2026, 7:30 - atualizado em 23 jun 2026, 8:17
Kátia Barros e Marcello Bastos (Imagem: Reprodução/Instagram)

Tudo começou com um stand na Babilônia Feira Hype, um evento cultural oficial do Rio de Janeiro, no ano de 1997. Foi lá que a contadora Kátia Barros e seu amigo Marcello Bastos começaram a compartilhar suas criações no mercado de moda independente, focadas em estampas vibrantes e na estética da vida carioca. Nascia, assim, a Farm Rio.

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Hoje, a marca conta com mais de 100 lojas no Brasil e presença em cidades como Nova York, Los Angeles, Paris e Londres.

Nos últimos dias, a marca entrou no radar do mercado com um potencial de avaliação de R$ 5,5 bilhões, nos cálculos de analistas do JP Morgan, em meio a uma potencial venda que pode destravar um valor expressivo para a Azzas 2154 (AZZA3), atual detentora da marca.

Como a Farm foi parar na Azzas

Para recapitular a história, em 2010, a Farm se uniu à Animale, em uma operação que deu origem ao Grupo Soma. Nos anos seguintes, outras marcas passaram a compor o portfólio do Soma, como Maria Filó, Foxton, Cris Barros e Hering.

Já em julho de 2024, o Grupo Soma, que tinha à frente Roberto Jatahy, e a Arezzo&Co, liderada por Alexandre Birman, se fundiram para formar o maior grupo de moda da América Latina, totalizando 28 marcas no portfólio.

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No entanto, menos de um ano após a combinação dos negócios, conflitos internos começaram a vir à tona.

Na última sexta-feira (19), a Azzas confirmou a contratação do Morgan Stanley para assessorar a avaliação de “alternativas estratégicas” envolvendo os ativos da Farm, o que inclui uma possível venda no mercado internacional.

O potencial da marca, segundo o JP

Analistas do JP Morgan destacam que a Farm expandiu sua receita a uma taxa de crescimento anual composta de 25% a 30% entre 2023 e 2025, enquanto manteve uma margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 18%, sustentada pelo avanço da relevância internacional e por sua proposta de marca diferenciada.

Em uma estimativa rápida e aproximada — usando R$ 3,74 bilhões de vendas brutas em 2026 (cerca de R$ 3,07 bilhões líquidas), margem Ebitda em torno 18% e um múltiplo de 8 a 10 vezes EV/Ebitda, o JP Morgan aponta que a Farm Rio poderia valer cerca de R$ 4,4 bilhões a R$ 5,5 bilhões, ou mais de 120% do valor de mercado da Azzas (de aproximadamente R$ 3,6 bilhões), que tem sido pressionado por questões de governança e execução.

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Na avaliação do banco, uma eventual monetização desse ativo poderia destravar valor relevante para as ações da Azzas. No entanto, ao mesmo tempo, existem riscos de que a arbitragem entre os dois principais acionistas sobre estratégia e estrutura de gestão possa contaminar o ativo e seu desempenho.

“Nesse contexto, vale destacar que a Farm Rio é majoritariamente administrada de forma independente dentro do grupo pelos seus fundadores, Kátia Barros e Marcello Bastos, que, segundo nossas estimativas, possuem participação combinada em torno de 3–4% na Azzas e provavelmente estariam dispostos a sair do grupo diante dos problemas de governança mais amplos”, diz o JP Morgan.

Por outro lado, os analistas pontuam que a Farm Rio ainda apresenta concentração relativamente elevada em categorias de produtos e mercados geográficos. O Brasil responde por cerca de 60% das vendas totais e a marca ainda não passou por múltiplos ciclos de consumo e de moda, como ocorre com grandes grupos globais.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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