B3 dá mais prazo para Raízen (RAIZ4) resolver condição de penny stock
A Raízen (RAIZ4) ganhou um fôlego para resolver sua atual condição de penny stock, que simboliza a deterioração na companhia bolsa. De acordo com comunicado enviado ao mercado na noite de sexta-feira (29), a B3 estendeu para 8 de julho de 2026 o prazo para apresentação do cronograma e procedimentos que devem ser adotados para o reenquadramento das ações ao valor mínimo exigido.
As regras da B3 preveem que companhias com ações abaixo de R$ 1 por mais de 30 pregões consecutivos precisam apresentar um plano para lidar com a situação.
Atualmente, os papéis da Raízen operam em torno da faixa de R$ 0,36, acumulando queda de aproximadamente 55% em 2026.
A decisão da B3 ocorre em meio às negociações do plano de recuperação extrajudicial da companhia.
O momento da Raízen
A Raízen divulgou na quinta-feira (28) detalhes da sua proposta de reestruturação financeira negociada com credores, incluindo um dos pontos mais sensíveis do plano: a conversão de 45% da dívida reestruturada em ações da companhia ao preço de R$ 0,25 por papel.
O tema aparece nos materiais compartilhados pela companhia com grupos de credores financeiros no âmbito da recuperação extrajudicial e divulgados posteriormente ao mercado por meio de um processo de “blowout”, mecanismo utilizado para tornar públicas informações compartilhadas durante negociações privadas.
Segundo o documento, “45% da dívida total reestruturada” será convertida em ações da Raízen ao preço de R$ 0,25 por ação. Os credores receberão units compostas por uma ação ordinária (ON) e uma preferencial (PN).
Os materiais mostram que a dívida total da companhia soma R$ 75,3 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões estão sujeitos à recuperação extrajudicial. Na prática, isso significa que cerca de R$ 29,4 bilhões poderão ser convertidos em ações da companhia ao preço de R$ 0,25.
Na avaliação de fontes do mercado, esse trecho ajuda a explicar a forte pressão recente sobre as ações da companhia, já que o plano implica potencial diluição relevante para os atuais acionistas. Às 11h, os papéis preferenciais da empresa caíam 19,05%, a R$ 0,34.
Além da conversão da dívida em equity, a proposta também prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell no fechamento da operação, também ao preço de R$ 0,25 por ação. O material cita ainda um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos.
Os outros 55% da dívida reestruturada seriam convertidos em novos instrumentos financeiros vinculados às operações de Raízen Energia e Raízen Combustíveis.