Uber fecha acordo de US$15 bi com Delivery Hero para criar gigante global de entrega de comida
A Uber fechou um acordo nesta quinta-feira para comprar a empresa alemã Delivery Hero por US$14,8 bilhões, para criar o maior grupo de entrega de comida fora da China e afastar a concorrência crescente de rivais norte-americanos e europeus.
A aquisição impulsiona os esforços da empresa norte-americana de transporte por aplicativo para construir um negócio global de entrega de comida que possa competir melhor com a Just Eat, pertencente ao grupo holandês Prosus, e com a rival norte-americana DoorDash, que vem se expandindo agressivamente.
A operação deve enfrentar um processo regulatório complexo, já que a fusão criaria uma plataforma abrangendo 99 países, com um valor bruto de mercadorias (GMV) pro forma combinado de US$236 bilhões em 2025, de acordo com um comunicado da Delivery Hero.
“Juntos, quase dobraremos o número de mercados onde oferecemos serviços de mobilidade e entrega”, disse o presidente-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, em comunicado conjunto.
A Uber, já a principal acionista da Delivery Hero, condicionou a aquisição à adesão de acionistas que representem pelo menos 50% mais uma ação do capital da empresa.
A transação, apoiada pela administração e pelo conselho de supervisão da Delivery Hero, deverá ser concluída no segundo semestre de 2027.
A oferta de 41,50 euros por ação representa um prêmio de aproximadamente 34% sobre o preço médio ponderado pelo volume dos últimos três meses. O valor é cerca de 9% superior ao fechamento de quarta-feira, mas aproximadamente 40% acima da cotação antes do início das especulações sobre uma possível negociação.
O negócio ampliará a presença do Uber Eats na Europa, Oriente Médio, Ásia e América Latina, mas deve ser analisado com rigor pelas autoridades antitruste devido à sobreposição de operações em diversos mercados.
Para reduzir essas preocupações, a Delivery Hero venderá suas operações em 14 mercados para a gestora americana SSW Partners por cerca de 1,4 bilhão de euros. A Prosus, uma das principais acionistas da empresa, também concordou em vender sua participação de quase 17%, reduzindo as chances de uma oferta concorrente.
Ainda assim, analistas do Jefferies afirmaram que o cronograma previsto para a conclusão da operação indica uma “longa e lenta caminhada” até a aprovação.