Banco do Brasil (BBAS3): BTG e Itaú BBA veem deterioração da carteira rural e enxergam o agronegócio como o ponto crítico do 4T25
O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o quarto trimestre de 2025 (4T25) com sinais claros de deterioração na qualidade do crédito, e o agronegócio foi o principal foco de preocupação nas análises do BTG Pactual e do Itaú BBA.
Embora o lucro tenha vindo acima do consenso, os dois bancos destacam que o resultado foi beneficiado por efeitos não recorrentes, enquanto os indicadores operacionais seguem pressionados.
Para o Itaú BBA, a piora da inadimplência rural foi um dos principais vetores de deterioração do balanço. O índice de inadimplência (NPL) acima de 90 dias do agronegócio subiu para 6,09%, avanço expressivo no trimestre.
O banco afirma que a normalização do custo de crédito no segmento será determinante para a recuperação do retorno sobre o patrimônio (ROE) em 2026, mas avalia que a visibilidade ainda é baixa. O guidance do BB, inclusive, admite a possibilidade de retração da carteira agro ao longo do ano.
O BTG Pactual adota tom semelhante, mas enfatiza ainda mais o risco estrutural do ciclo rural. Na visão dos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura, a formação de inadimplência segue elevada, a carteira renegociada ainda inspira cautela e o custo de crédito deve permanecer pressionado.
Para o BTG, o agro deixou de ser o tradicional amortecedor de risco do Banco do Brasil e passou a concentrar as maiores incertezas do balanço.
Apesar de a carteira total ainda apresentar crescimento modesto, as duas instituições convergem na avaliação de que o problema não está no volume, mas na qualidade. Sem uma estabilização mais clara do crédito rural, a recuperação do BB tende a ser lenta e concentrada no fim de 2026, com o ROE permanecendo abaixo dos níveis históricos no curto prazo.
Além da forte alta da inadimplência rural, analistas também chamam atenção para a formação elevada de novos créditos problemáticos, a qualidade ainda frágil da carteira renegociada e a dependência de efeitos regulatórios para reforçar o capital — fatores que indicam que o ciclo do agronegócio ainda não se estabilizou.
A presidente do BB, Tarciana Medeiros, disse que dos seus 26 anos de banco, 2025 foi o mais desafiador, justamente pelo momento mais desafiador para o agronegócio.