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O gatilho foi dado: Banco do Brasil (BBSA3) chega a saltar 8% após números do 4T25, mas analistas fazem alertas

12 fev 2026, 10:32 - atualizado em 12 fev 2026, 12:06
Banco do Brasil agronegócio (1)
O BB também divulgou suas projeções para 2026, com lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões (Foto: Reuters/Adriano Machado)

O Banco do Brasil (BBAS3) surpreendeu ao reportar lucro de R$ 5,7 bilhões, 40% acima do esperado pelo consenso da Bloomberg. Com isso, por volta das 10h30, as ações disparavam 7,59%, a R$ 26,80. Porém, a ação devolveu as altas por volta das 12h e opera perto da estabilidade.

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Após uma sequência negativa de resultados, as expectativas estavam baixas, o que, segundo analistas, abria espaço para surpresas positivas.

Apesar disso, algumas casas preferem ver o copo meio vazio. Isso porque, mesmo com a melhora do lucro, a qualidade dos resultados seguiu deteriorada. A inadimplência avançou, assim como as provisões para devedores duvidosos (PDD).

Para o Safra, o resultado foi beneficiado por uma combinação de menores despesas de captação, contribuição positiva do Banco Patagonia, provisões inferiores à formação de novas perdas e um efeito tributário favorável, com imposto de renda positivo devido a maiores deduções.

Já a “pedra de salvação” do BB — a medida do governo para renegociação das dívidas do agronegócio — trouxe alívio relevante. Os R$ 22 bilhões em empréstimos renegociados até agora elevaram o Índice de Capital Principal em 144 pontos-base (bps).

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Mesmo assim, os analistas dizem que o sentimento com a ação pode melhorar entre investidores que argumentam que o banco ganhou mais tempo para lidar com ativos problemáticos, especialmente antes do ciclo de afrouxamento monetário previsto para começar em março.

Banco do Brasil: Impostos também ajudam

A XP lembra que o resultado foi inflado por um efeito tributário positivo de R$ 1,8 bilhão no trimestre, enquanto os custos de crédito permanecem elevados, em R$ 18 bilhões.

“O índice de cobertura continua em queda, e as tendências de qualidade dos ativos no agronegócio seguem pressionando”, afirmam os analistas.

Além disso, o Bradesco BBI destaca que as receitas com tarifas mostraram fraqueza e que a qualidade dos ativos voltou a se deteriorar, com o índice de inadimplência acima de 90 dias avançando para 5,2%.

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As provisões ficaram em linha com as expectativas, mas a cobertura recuou cerca de 20 pontos percentuais, pressionada por um caso corporativo específico.

Já o JPMorgan prefere empregar um tom mais otimista para o balanço. Os analistas ressaltam o lucro antes de impostos superou as estimativas.

Para a casa, o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de 12,6% está longe de configurar um trimestre excepcional, “mas, considerando as baixas expectativas e o guidance para 2026 em linha com o esperado, o resultado foi construtivo”.

“Embora os investidores possam questionar se o banco cumprirá as projeções após as revisões de 2025 e se o refinanciamento de R$ 22 bilhões da carteira de agronegócio via MP 1.314 é uma solução temporária ou permanente, saudamos os sinais tangíveis de menor apetite por crédito por parte da administração.”

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Guidance vem em linha

O BB também divulgou suas projeções para 2026, com lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

Em 2025, o lucro somou R$ 20,7 bilhões, dentro do intervalo projetado pelo banco (R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões), mas com queda de 45,4% em relação ao resultado de 2024.

Segundo o CFO do Banco do Brasil, Giovanne Tobias, há expectativa de crescimento entre 10% e 15% do lucro.

“Isso é positivo, mas não esperamos voltar ao nível de ROE que tínhamos até 2024, porque ainda estamos em um processo de retomada do crescimento e de recuperação da rentabilidade do banco.”

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Ainda segundo o executivo, o ambiente de redução de juros é favorável e pode permitir uma aceleração no segundo semestre.

Para o BBI, o guidance indica riscos baixistas “à nossa projeção de lucro, dado que estamos no topo do intervalo divulgado pelo banco (R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões), enquanto o crescimento de crédito veio mais fraco que o esperado”.

“Seguimos monitorando o ritmo da inadimplência, a necessidade de provisões adicionais e a capacidade do banco de sustentar margens e eficiência em um ambiente de expansão creditícia mais moderada”, afirma a casa.

A XP segue na mesma linha ao destacar que o guidance para 2026 aponta crescimento modesto da carteira de crédito e lucro líquido entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, o que implica cerca de 20% de crescimento anual no ponto médio e um ROE implícito próximo de 14%.

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“Isso sugere uma recuperação gradual sustentada por melhores spreads e provisões ligeiramente menores, embora o ritmo de melhora na qualidade do crédito continue sendo uma variável-chave e ainda possa ser visto com cautela pelos investidores.”

Segundo a XP, os resultados reforçam sinais de estabilização, mas não alteram de forma material a postura conservadora.

“Dado o cenário ainda pressionado de qualidade dos ativos, a visibilidade moderada sobre a velocidade de normalização, custos de crédito elevados, múltiplos mais altos e menor dividend yield, mantemos nossa recomendação neutra.”

O que fazer com o papel?

Para o BTG, mesmo com a melhora no trimestre, a perspectiva em torno da normalização da exposição ao agronegócio do Banco do Brasil — tanto em relação ao cronograma quanto à rentabilidade — permanece limitada.

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Os analistas afirmam que o resultado pode oferecer algum suporte às ações no curto prazo. Isso é particularmente relevante no caso do BB, já que os papéis têm demonstrado resiliência.

Mas a normalização dos lucros do banco deve ser um processo gradual, ainda cercado de incertezas quanto às tendências de crédito, especialmente no agronegócio.

A própria administração reconhece esse cenário. Segundo a CEO, Tarciana Medeiros, 2025 foi um ano desafiador e 2026 também será.

“Mas será desafiador dentro de um desafio que já aprendemos como enfrentar.”

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Com alta de cerca de 15% no acumulado do ano, as ações negociam a aproximadamente 0,75 vez o valor patrimonial (P/VP), considerando um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de apenas 11% em 2025.

“A avaliação só seria atrativa em um cenário de recuperação mais rápida do ROE, o que não é nosso cenário-base.”

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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