Banco do Japão mantém juros em 1,25%, mas deixa alta em dezembro no radar
O Banco do Japão (BoJ) manteve a taxa básica de juros em 1,25% nesta sexta-feira (30), mas sinalizou que uma nova alta pode acontecer já em dezembro. Após quase 14 anos de esforços para alcançar a meta de inflação de 2%, a autoridade monetária avalia que o desafio agora é manter os preços próximos desse patamar.
A decisão de preservar os juros era amplamente esperada e dá ao banco central mais tempo para avaliar os efeitos dos aumentos anteriores sobre o crédito. A manutenção, porém, não foi unânime: o integrante da diretoria Hajime Takata defendeu uma elevação da taxa para 1,5%.
Na entrevista coletiva, o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, afirmou que os juros serão discutidos a cada reunião, incluindo a de dezembro. Embora tenha evitado indicar um calendário fixo de altas, ele reforçou que o banco central está atento ao risco de a inflação superar a meta.
“É importante ancorar a inflação subjacente em torno de nossa meta. Isso não significa que vamos simplesmente ficar parados esperando. Ajustaremos a política monetária conforme apropriado para que a inflação subjacente fique ancorada em torno de 2%”, afirmou.
Da busca pela inflação ao risco de excesso
A avaliação do BoJ marca uma mudança na condução da política monetária japonesa. Depois de anos tentando estimular a alta dos preços, a instituição considera que a inflação subjacente — que busca captar a tendência dos preços — atingiu um nível compatível com o objetivo de 2%.
Com isso, a atenção passa a se concentrar na sustentação desse resultado e nos riscos de novas pressões inflacionárias. Segundo Ueda, as condições financeiras continuam favoráveis à atividade, mesmo após as elevações dos juros.
“Existem vários riscos de alta. Portanto, devemos estar atentos ao risco de a inflação ultrapassar nossa meta”, disse.
O cenário mantém aberta a possibilidade de novos aumentos nos próximos meses, embora o ritmo dependa da evolução da economia, dos preços e das condições de financiamento.
Essa preocupação aproxima o BoJ dos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa, que também monitoram pressões inflacionárias associadas à expansão da inteligência artificial e ao choque de energia provocado pela guerra no Irã.
BoJ acelera venda de ETFs
O banco central japonês também anunciou que vai acelerar as vendas de fundos negociados em bolsa (ETFs) a partir de janeiro, em mais um passo de retirada dos estímulos monetários.
O volume anual passará de 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes, o equivalente a cerca de US$ 5,5 bilhões.
A medida reforça o afastamento da política de juros muito baixos e de compra de ativos que marcou a atuação do BoJ durante os anos de combate à inflação baixa.
*Com informações da Reuters