BB Investimentos diz o que esperar para o agro no mês e recomenda compra de 2 ações — uma delas pode dobrar de preço até o fim do ano
O BB Investimentos chega a setembro com recomendação de compra para duas ações de sua cobertura de agronegócio, alimentos e bebidas: 3tentos (TTEN3) e JBS (JBSS32). A primeira tem potencial de valorização de 99,6%, praticamente o dobro da cotação de referência utilizada pelo banco.
O preço-alvo para a 3tentos é de R$ 20,90, ante o fechamento de R$ 10,47 em 17 de setembro. Para os BDRs da JBS, o objetivo é de R$ 105, o que representa uma alta potencial de 69,6% sobre os R$ 61,91 registrados na mesma data. Os alvos apresentados no relatório são para 2026.
As recomendações aparecem em um cenário de valorização dos grãos, melhora das condições de compra de fertilizantes e pressão sobre as margens dos produtores de proteínas animais, segundo o relatório setorial assinado por William Bertan e Mary Silva.
Enquanto as preocupações com a safra norte-americana e a demanda sustentam soja e milho, os frigoríficos enfrentam desafios com custos e exportações, especialmente diante da redução dos embarques de carne bovina para a China.
Quais ações comprar no agronegócio?
A 3tentos acumula queda de 35,8% no ano, enquanto os BDRs da JBS recuam 15,5%, considerando as cotações de 17 de setembro utilizadas pelo BB Investimentos.
Apesar do potencial de valorização dessas duas empresas, é a Minerva Foods (BEEF3) que apresenta a maior distância em relação ao preço-alvo na tabela do banco: 110%. Ainda assim, a recomendação para o papel é neutra.
Também recebem classificação neutra MBRF (MBRF3), SLC Agrícola (SLCE3), Boa Safra (SOJA3) e Ambev (ABEV3).
Confira as recomendações do BB Investimentos no agronegócio:
| Empresa | Código | Preço-alvo para 2026 | Potencial de alta | Recomendação |
|---|---|---|---|---|
| 3tentos | TTEN3 | R$ 20,90 | 99,6% | Compra |
| JBS | JBSS32 | R$ 105,00 | 69,6% | Compra |
| Minerva | BEEF3 | R$ 8,00 | 110,0% | Neutra |
| MBRF | MBRF3 | R$ 26,20 | 57,2% | Neutra |
| Boa Safra | SOJA3 | R$ 10,90 | 44,4% | Neutra |
| SLC Agrícola | SLCE3 | R$ 21,90 | 21,9% | Neutra |
| Ambev | ABEV3 | R$ 16,00 | 2,9% | Neutra |
Potenciais calculados sobre as cotações de 17 de setembro de 2026.
Soja e milho encontram suporte nos preços
No mercado de grãos, o BB Investimentos destaca que a soja ganhou sustentação em agosto com a demanda chinesa, o avanço das exportações norte-americanas e as dúvidas sobre a produtividade das lavouras dos Estados Unidos.
A cotação média da oleaginosa em Chicago ficou em US$ 12,04 por bushel, alta de 0,8% sobre julho. No Brasil, o câmbio favorável, os prêmios elevados e a menor disponibilidade física do grão também contribuíram para sustentar os preços.
O movimento foi mais intenso no milho, cuja cotação média atingiu US$ 4,77 por bushel, avanço mensal de 7,4%. Revisões de produtividade e a expectativa de estoques menores nos Estados Unidos deram suporte ao cereal.
No mercado doméstico, a demanda das indústrias de etanol e proteína animal continuou apoiando as cotações, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra.
Para o ciclo brasileiro 2026/27 do agronegócio, o banco chama atenção para a evolução do El Niño. O fenômeno pode afetar a regularidade das chuvas e o desenvolvimento das lavouras, além de influenciar o calendário de plantio da soja e a janela disponível para a segunda safra de milho.
Fertilizantes dão alívio ao produtor
A combinação de grãos mais valorizados e recuo de parte dos fertilizantes melhorou as relações de troca para o produtor em agosto.
Segundo o relatório, a ureia caiu 7,4% no mês, enquanto o MAP, fertilizante fosfatado, recuou 2%. Já o cloreto de potássio ficou praticamente estável, com alta de 0,1%.
Com isso, o indicador de relação de troca acompanhado pelo banco caiu 12,7% para a soja e 11,7% para o milho na comparação mensal, sinalizando condições mais favoráveis para a aquisição dos insumos.
China e custos pressionam as proteínas
Na pecuária, o cenário descrito pelo BB Investimentos reúne redução dos abates, valorização da arroba e enfraquecimento das exportações de carne bovina.
Segundo o banco, os embarques para a China caíram 80% em agosto ante julho, após o atingimento da cota de importação com tarifa reduzida. O movimento contribuiu para uma retração de 14,1% no volume total exportado pelo Brasil no mês.
Ao mesmo tempo, o preço médio do boi gordo acompanhado no relatório ficou em R$ 346 por arroba, avanço de 3,1% na comparação mensal.
No frango, as exportações somaram 458 mil toneladas, queda de 5,1% sobre julho, embora ainda tenham crescido 22,6% em relação a agosto de 2025. Os preços subiram nos mercados interno e externo, mas os custos também avançaram, mantendo as margens pressionadas, segundo a análise.
Já na carne suína, os embarques permaneceram próximos de 115 mil toneladas pelo terceiro mês consecutivo. A combinação de preços menores e custos crescentes também pressionou as margens do segmento.