BC do Japão eleva taxa de juros para maior nível em 31 anos
O Banco do Japão elevou a taxa de juros para o maior patamar em 31 anos nesta terça-feira (16), marcando mais um passo decisivo na normalização da política monetária, com foco em conter as pressões inflacionárias decorrentes do choque energético causado pela guerra do Irã.
O aumento foi o primeiro desde dezembro e alinha o Banco do Japão com outros bancos centrais que estão adotando uma política monetária mais restritiva para combater a inflação, incluindo o Banco Central Europeu.
O vice-presidente Shinichi Uchida reconheceu o recente acordo de paz entre os EUA e o Irã, que descreveu como uma “medida bem-vinda”, mas observou riscos inflacionários persistentes.
“Em comparação com a reunião anterior, o risco de uma deterioração acentuada da economia diminuiu. Por outro lado, os aumentos de preços estão se generalizando e há o risco de que a inflação subjacente se desvie de nossa meta”, disse Uchida em uma coletiva de imprensa realizada em nome do presidente Kazuo Ueda, que não compareceu à reunião por motivos de saúde.
Em um movimento amplamente esperado, o banco central decidiu elevar sua taxa de juros de curto prazo de 0,75% para 1%, levando os custos dos empréstimos a níveis vistos pela última vez em 1995.
Em comunicado anunciando a decisão, o Banco do Japão afirmou que o risco de uma deterioração acentuada da economia japonesa devido ao conflito no Oriente Médio diminuiu graças aos avanços na obtenção de fontes alternativas de energia.
Por outro lado, as perspectivas de preços merecem atenção, já que as empresas estavam repassando os custos crescentes do petróleo umas às outras em um “ritmo relativamente rápido”, o que pode elevar os preços ao consumidor em uma ampla gama de itens, afirmou.
“Levando em conta que as expectativas de inflação de médio e longo prazo também continuaram a aumentar, há o risco de a inflação subjacente se desviar para acima de nossa meta de preços”, afirmou o banco central.
A decisão foi tomada por 7 votos a 1. Toichiro Asada, que ingressou na diretoria em abril como o primeiro membro escolhido a dedo pela primeira-ministra Sanae Takaichi, discordou da visão de que os riscos de queda para o crescimento decorrentes do conflito no Oriente Médio eram maiores do que os riscos de inflação.
O Banco do Japão também decidiu suspender seu programa de redução gradual de compras de títulos a partir de abril do próximo ano e continuar a comprar cerca de 2 trilhões de ienes (US$ 12,5 bilhões) em títulos do governo japonês por mês.
Ele descontinuará a prática de realizar uma revisão anual de seu plano de redução de compras de títulos, mas permanecerá pronto para ajustar o ritmo das compras, se necessário, em futuras reuniões de política monetária.