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Multiplan (MULT3): ‘Ainda há muito a buscar dentro de casa’, diz CEO sobre estratégia de crescimento

31 jul 2026, 12:54
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ParkShopping São Caetano (Imagem: reprodução Multiplan)

Depois de divulgar o resultado do segundo trimestre de 2026, a Multiplan (MULT3) aproveitou a teleconferência com analistas para reforçar que ainda enxerga amplo espaço para crescer dentro do próprio portfólio. A estratégia da administradora de shopping centers passa por ampliar e revitalizar ativos existentes, deixando em segundo plano o desenvolvimento de novos empreendimentos.

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Segundo o CEO da companhia, Eduardo Peres, a decisão de priorizar expansões em vez da construção de shoppings do zero, os chamados greenfields, reflete a convicção de que ainda há potencial para extrair mais valor dos ativos atuais.

“Quando tomamos a decisão de não construir ativos novos, percebemos que ainda havia muito a buscar dentro de casa”, afirmou o executivo durante a teleconferência de resultados desta sexta-feira (31).

Como exemplo, Peres destacou a expansão do MorumbiShopping, inaugurada neste ano. Segundo ele, a modernização elevou significativamente o fluxo de visitantes e a demanda por espaços comerciais. O CEO chegou a afirmar que, se o empreendimento tivesse hoje mais 10 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), todo o espaço já estaria ocupado.

Na avaliação da administração, a estratégia deverá se repetir em outros ativos relevantes do portfólio, como ParkShopping Brasília, BarraShopping, BH Shopping e demais empreendimentos que passam por ampliações. Para a companhia, investir na qualidade dos shoppings melhora a experiência do consumidor, aumenta o fluxo de visitantes e, consequentemente, impulsiona vendas, receitas de estacionamento e aluguel.

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O discurso reforça uma das principais mensagens do trimestre: embora parte do lucro tenha sido beneficiada por efeitos extraordinários, como a recuperação de créditos tributários, a administração atribui o desempenho operacional à estratégia de longo prazo de modernização dos ativos.

Ao comentar as margens recordes, Peres evitou indicar que o patamar será permanente, mas afirmou que a busca por eficiência é contínua e consequência direta da qualidade dos empreendimentos.

Reforma tributária entra no radar

Outro tema que ganhou espaço durante a sessão de perguntas e respostas foi a implementação da reforma tributária, que começará a ser implementada em caratér de transição no ano que vem. Analistas questionaram a companhia sobre os desafios operacionais da transição e o grau de preparação dos lojistas para o novo sistema.

Segundo Armando d’Almeida, CFO da companhia, a principal preocupação da Multiplan neste momento não está relacionada aos impactos econômicos da reforma, mas à adaptação tecnológica necessária para cumprir as novas exigências fiscais.

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Peres acrescentou que a companhia concentra esforços na atualização dos sistemas internos para cumprir os cronogramas estabelecidos pela Receita Federal e avaliou que, embora grandes varejistas estejam mais preparados, lojistas menores ainda tendem a enfrentar dificuldades na adaptação às novas regras.

“Eu imagino que os pequenos lojistas ainda estejam muito preocupados com a situação econômica e talvez ainda não estejam tão preparados para a reforma tributária quanto as grandes empresas”, e.

Na visão da administração, a adequação operacional deve ser o principal desafio no curto prazo, enquanto eventuais efeitos econômicos da reforma permanecem em segundo plano.

Resultados da companhia no 2T26

A Multiplan encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 427,4 milhões, alta de 61,7% na comparação anual, beneficiado pelo crescimento operacional dos shoppings e pelo reconhecimento de cerca de R$ 253 milhões em créditos tributários de PIS/Cofins. A receita líquida avançou 22%, para R$ 846,8 milhões, enquanto o Ebitda cresceu 52%, alcançando R$ 699,2 milhões, com margem de 82,6%.

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No operacional, a receita de locação, principal linha de negócios da companhia, subiu 3,2%, para R$ 441,3 milhões. As receitas de estacionamento e de serviços registraram crescimento ainda mais forte, de 17% e 19,3%, respectivamente, refletindo o aumento do fluxo de consumidores nos empreendimentos.

Já o fluxo de caixa operacional (FFO) atingiu R$ 515,7 milhões, avanço de 76,3% em relação ao mesmo período de 2025, com margem de 60,9%. Apesar dos efeitos positivos dos créditos tributários sobre os resultados, a administração destacou durante a teleconferência que o desempenho operacional foi sustentado pela estratégia de expansão e modernização do portfólio de shopping centers.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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