BC vê aumento da incerteza global com conflito no Oriente Médio e alta do risco no crédito às famílias
A incerteza sobre o cenário externo aumentou no segundo semestre de 2025, impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central divulgado nesta segunda-feira (25).
De acordo com a autoridade monetária, as tensões geopolíticas elevaram significativamente os riscos globais, sobretudo pelos impactos na região do Oriente Médio e nas cadeias de suprimento, incluindo o fluxo de commodities pelo Estreito de Ormuz.
Apesar disso, o BC ressalta que o crescimento global ao longo de 2025 surpreendeu positivamente, mesmo em meio a incertezas sobre políticas econômicas e ao aumento de tarifas nos Estados Unidos.
O relatório também destaca que a oferta de funding externo ao sistema financeiro brasileiro segue robusta e acima da demanda, sem pressões relevantes sobre custos no curto prazo.
No âmbito doméstico, a rentabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) permaneceu praticamente estável no segundo semestre de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) passou de 16,9% em junho para 17,1% em dezembro, sustentado pelo crescimento dos resultados operacionais, mesmo com o avanço das provisões.
Entre os segmentos, instituições digitais registraram o maior avanço na rentabilidade, enquanto bancos privados mantiveram trajetória positiva. Já o segmento público segue pressionado, especialmente pelos riscos associados ao crédito rural, embora tenha apresentado melhora no fim do ano.
O BC também apontou aumento na materialização de riscos no crédito às famílias, com alta da inadimplência em diversas modalidades. A tendência é de continuidade desse movimento nos próximos períodos. No crédito às empresas, por outro lado, houve recuo nas probabilidades de inadimplência, ainda que em níveis elevados.
Por fim, o relatório indica que a desaceleração do crédito segue em curso, acompanhando o ritmo mais moderado da atividade econômica, com as instituições financeiras reduzindo gradualmente o apetite ao risco.
*Com informações do estadão Conteúdo e Reuters