BEEF3, JBSS32 e MBRF3: JP Morgan reorganiza apostas para frigoríficos e define novo ranking de favoritas
A reabertura gradual da fronteira entre México e Estados Unidos para a importação de gado levou o JP Morgan a reorganizar suas apostas para os frigoríficos. O banco elevou a recomendação da JBS (JBSS32) para overweight (equivalente à compra), rebaixou a Minerva Foods (BEEF3) para neutra e manteve a MBRF (MBRF3) como compra, definindo um novo ranking de preferência entre as companhias.
A nova ordem de favoritas da instituição passou a ser: MBRF, JBS e Minerva.
Apesar das mudanças nas recomendações, o banco manteve inalteradas as estimativas e os preços-alvo para as três empresas. Para a JBS, o preço-alvo segue em US$ 18 por ação até dezembro de 2027; para a Marfrig, em R$ 22,50; e para a Minerva, em R$ 5,50.
Segundo os analistas Lucas Ferreira, Larissa Perez e Froylan Mendez, a reabertura da fronteira representa um dos principais catalisadores para o setor de frigoríficos.
“Embora seja difícil estimar quanto esse evento poderá impulsionar as revisões de lucros no curto prazo, acreditamos que ele pode marcar o ponto mais baixo do sentimento dos investidores para o setor”, escreveram.
JBS sobe na preferência
Para o JP Morgan, a recente correção das ações da JBS abriu uma oportunidade de compra. O banco avalia que a companhia passou a negociar em níveis mais atrativos e que a retomada gradual das importações de gado mexicano deve estabelecer um piso para as margens da operação de carne bovina nos Estados Unidos, favorecendo uma recuperação ao longo do segundo semestre de 2026.
Pelas estimativas da instituição, cada aumento de 1 ponto percentual na margem Ebitda da divisão de carne bovina dos EUA pode elevar o Ebitda consolidado da companhia em cerca de 4,6%.
O principal risco continua concentrado na Pilgrim’s Pride (PPC), diante da oferta ainda elevada de frango no mercado americano e dos preços pressionados, fatores que limitam uma recuperação mais rápida das margens.
Minerva perde força
Na direção oposta, a Minerva deixou de figurar entre as recomendações de compra do banco.
Segundo o JP Morgan, a companhia ainda enfrenta um cenário operacional desafiador, enquanto importantes gatilhos para a ação — como uma eventual redistribuição das cotas de exportação para a China e a flexibilização das restrições às importações de carne bovina pelos Estados Unidos — têm demorado mais do que o esperado para ocorrer.
Embora negocie a múltiplos considerados descontados, o banco avalia que a elevada alavancagem financeira e a menor visibilidade sobre a geração de caixa limitam o potencial de valorização dos papéis no curto prazo.
MBRF continua no topo
A Marfrig manteve a posição de principal aposta do JP Morgan entre os frigoríficos.
Na visão da instituição, a companhia reúne o melhor momento de resultados entre seus pares e uma avaliação considerada atrativa. Além disso, a reabertura da fronteira entre México e Estados Unidos deve aliviar a escassez de gado no mercado americano, melhorar a utilização das plantas industriais e favorecer as margens da operação ao longo do tempo.
Os analistas também enxergam espaço para novas revisões positivas caso a empresa acelere as vendas de alimentos processados no segundo semestre e mantenha maior disciplina na alocação de capital.