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Etanol de milho deve mais que dobrar até 2030, mas um fator bilionário pode limitar expansão, aponta Itaú BBA

11 set 2026, 13:19
etanol de milho (1)
(iStock.com/André Cecim)

A capacidade instalada de produção de etanol de milho no Brasil deve mais que dobrar até o fim da década, passando de 10,9 bilhões de litros, em 2025, para 25,3 bilhões de litros em 2030, segundo levantamento do Itaú BBA.

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A expansão, porém, traz uma preocupação bilionária: a oferta de biomassa utilizada na geração de energia pelas usinas. Para o banco, garantir matéria-prima suficiente e sustentável pode se tornar um dos principais limitadores do crescimento da indústria.

Caso o eucalipto fosse a única fonte energética das plantas, o setor precisaria de aproximadamente 816 mil hectares de florestas plantadas no país para sustentar a capacidade projetada para 2030. Nesse cenário, as usinas consumiriam ainda cerca de 57 milhões de toneladas de milho por ano.

O desafio é especialmente relevante em Mato Grosso, principal polo de etanol de milho do Brasil. A capacidade produtiva do estado deve subir de 6,9 bilhões para 11,9 bilhões de litros entre 2025 e 2030, exigindo aproximadamente 383 mil hectares de eucalipto.

Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares plantados com a cultura. Pelas estimativas do Itaú BBA, seria necessário adicionar aproximadamente 218 mil hectares de florestas energéticas.

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Considerando um custo de implantação e condução de R$ 35 mil por hectare durante um ciclo de 13 anos, essa expansão demandaria investimentos próximos de R$ 7,6 bilhões. Em um cenário de menor eficiência das usinas e das florestas, a conta poderia alcançar R$ 14,3 bilhões.

Corrida do etanol por biomassa

A preocupação aumenta porque as usinas de etanol não são as únicas consumidoras de biomassa. Esmagadoras de soja, frigoríficos e unidades de secagem de grãos também utilizam madeira e outros materiais em seus processos, elevando a competição pelo insumo.

Além disso, Mato Grosso estabeleceu um cronograma para reduzir o uso de biomassa proveniente da supressão de vegetação nativa. A regra limita essa participação a 40% até 2034 e prevê sua eliminação a partir de 2035 para as indústrias já instaladas.

Diante desse cenário, o Itaú BBA avalia que empresas precisarão antecipar investimentos em florestas próprias ou firmar contratos de longo prazo para garantir abastecimento e previsibilidade de preços.

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O banco ressalta que o eucalipto não será necessariamente a única fonte utilizada. Bambu, casca de arroz, bagaço e palha de cana, capins energéticos e outros resíduos agroindustriais poderão complementar a matriz. Ganhos de eficiência nas caldeiras também podem reduzir a demanda projetada.

Ainda assim, a formação de florestas plantadas será estratégica tanto para sustentar o avanço da produção quanto para reforçar as credenciais ambientais do etanol de milho brasileiro, especialmente no acesso a mercados de baixo carbono.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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