Bets são a “covid do Lula” e eleições viraram plebiscito sobre o governo, diz economista
As apostas esportivas online podem se tornar um dos fatores decisivos das eleições presidenciais de 2026. Na avaliação de Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas Asset Management, a explosão das bets provocou um impacto político no governo Lula comparável ao efeito que a pandemia teve sobre a gestão de Jair Bolsonaro.
“As bets são a covid do Lula”, afirmou o economista durante participação no podcast Market Makers.
Para Chermont, o avanço das plataformas de apostas ampliou o endividamento das famílias e contribuiu para um sentimento de insatisfação que pode pesar contra o atual presidente na disputa pela reeleição.
Eleição virou plebiscito sobre Lula
Na avaliação do analista político José Dezene Júnior, também entrevistado pelo podcast, o cenário atual se aproxima de um plebiscito sobre a continuidade do atual governo.
A pergunta que deve nortear a decisão dos eleitores é se Lula “merece ou não mais quatro anos”. Esse cenário tende a concentrar votos nos dois principais candidatos e reduzir o espaço para alternativas de centro ou terceira via.
Chermont avalia que a economia continuará sendo determinante para o resultado eleitoral, mas não necessariamente pelos indicadores tradicionais. O principal motivo seria o alto grau de endividamento das famílias e das empresas, que, segundo ele, corrói a percepção de bem-estar econômico.
Nesse contexto, o avanço das apostas esportivas online agravou o problema. “As pessoas estão doentes, todo mundo se endividando”, disse Chermont, que classificou o fenômeno como uma questão de saúde pública.
Na visão do sócio da Quantitas, o eleitor sente na prática os efeitos desse processo ao perceber que uma parcela crescente da renda está comprometida com dívidas e apostas, independentemente do comportamento dos indicadores macroeconômicos.
Por isso, ele acredita que o mal-estar econômico atual não está relacionado apenas ao custo de vida, mas à dificuldade de as famílias recuperarem a capacidade financeira.
Momento favorece a oposição
Com as pesquisas apontando uma disputa apertada, Chermont avalia que Lula precisaria chegar ao segundo turno com vantagem relevante para compensar a tendência histórica de transferência de votos dos candidatos de centro e centro-direita para o campo conservador. No momento, porém, ele vê um cenário eleitoral mais favorável à oposição.
“O Lula tem que terminar, para ter chance de ganhar no segundo turno, a uma distância de pelo menos quatro ou cinco pontos. E as pesquisas até agora não sugerem que isso vá acontecer”, afirmou.