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Boa Safra (SOJA3) vê procura por soja de ciclo longo diante de El Niño em 2026/27

10 jun 2026, 10:45 - atualizado em 10 jun 2026, 10:45
boa safra soja3
(Foto: Reuters/Diego Vara)

A Boa Safra (SOJA3), empresa produtora de sementes que fornece para cerca de 10% da área plantada com soja no Brasil, tem visto uma procura maior por materiais que possibilitam um ciclo mais longo da lavoura, como forma de lidar com intempéries que podem ocorrer com o fenômeno climático El Niño.

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Em entrevista à Reuters, o CEO e cofundador da Boa Safra, Marino Colpo, disse também que os agricultores que se preparam para a temporada 2026/27, com plantio a partir de meados de setembro no Brasil, têm buscado um pacote mais básico de sementes, para reduzir custos em momento de rentabilidade mais apertada por alta de preços de fertilizantes e combustíveis.

“Tem demanda grande por sementes que possam tolerar clima mais severo”, disse Colpo, ao ser questionado pela Reuters sobre o impacto do fenômeno El Niño, que pode trazer menos chuvas para o Centro-Oeste, principal região produtora de soja do país.



Com uma semente de ciclo mais longo, a chance de a lavoura se recuperar após um período de seca é maior, explicou ele.

“Pelo fato da previsão do El Niño forte, tem muitos produtores diversificando um pouco o portfólio e optando em alguns casos por materiais um pouco mais longos do que o normal”, comentou. “Quando tem um material muito curto e toma dez dias de sol, ele é irrecuperável.”

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A Boa Safra, líder no setor, fornece sementes de soja para 5 milhões de hectares plantados no país, disse Colpo, de um total de cerca de 49 milhões semeados na temporada 2025/26 no Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa.

O tratamento de sementes com produtos biológicos também ajuda o produtor a lidar com a seca, por promover uma germinação com vigor. Mas esses são materiais mais caros, ponderou.

“Percebemos vontade do produtor de comprar uma semente tecnologia mais barata”, disse ele, notando que, ainda assim, o agricultor tem buscado materiais com tratamento com inseticidas e fungicidas, até pelas dificuldades com mão de obra na fazenda.

Risco para milho

Se essa tendência de soja de ciclo mais longo ganhar força no país, a janela climática para plantio de milho segunda safra, após a colheita da oleaginosa, ficaria mais curta, aumentando os riscos para o cereal, acrescentou Colpo, lembrando que nos últimos anos produtores adotaram a estratégia de soja de ciclo curto visando o milho.

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O milho segunda safra atualmente responde pela maior parte do cereal colhido no Brasil, o terceiro produtor global e segundo exportador.

Na hipótese de o produtor não conseguir plantar o milho na janela climática adequada, ele poderia migrar para o sorgo, disse Colpo, citando a cultura mais rústica, que vem sendo vista como eventual substituto do cereal como matéria-prima da indústria de etanol.

Embora a companhia venda também sementes de milho e sorgo, a soja representa ainda pouco mais de 80% da receita da Boa Safra, que vê oportunidades de expansão apesar da situação financeira mais difícil do setor agrícola, disse o CEO.

Em um momento no qual empresas de sementes entraram em recuperação judicial, a Boa Safra avalia aquisições. “Tem muita coisa barata, temos olhado muita coisa, estamos abertos a negociações, abertos a aquisições, queremos fazer aquisições, mas no preço certo, no preço de crise, em preço de custo de capital elevado”, afirmou Colpo, citando que a alavancagem da companhia permitiria o movimento.

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Ele disse que há apetite para alguma empresa que faça venda direta de sementes, permitindo verticalização de parte dos negócios.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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