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Alta do petróleo pode mudar o jogo para açúcar e etanol; veja as ações que podem se beneficiar

24 jul 2026, 16:40
usinas açúcar etanol jalles são martinho
(iStock.com/Mailson Pignata)

A nova escalada das tensões no Oriente Médio voltou a impulsionar o preço do petróleo e pode levar a uma reação em cadeia no setor sucroenergético brasileiro. Se a alta do barril do Brent chegar às bombas por meio de reajustes da gasolina, o etanol tende a ganhar competitividade, levando as usinas a mudar o mix de produção e reduzindo a oferta de açúcar.

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Na avaliação de Vitor Novaes, analista de commodities do BTG Pactual, esse é o principal canal pelo qual o conflito no Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio brasileiro.

“O principal vetor aqui é a gasolina. A principal pergunta é quando esse petróleo mais caro será efetivamente repassado para o mercado doméstico”, afirmou durante participação no Radar das Commodities.

Segundo o analista, o cenário ainda é cercado de incertezas. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quarto do petróleo mundial, continua sendo um dos principais focos de preocupação do mercado, e ainda não há clareza sobre a evolução das tensões na região.

Etanol pode ganhar força

Na visão do BTG, uma eventual alta da gasolina aumentaria a competitividade do etanol, favorecendo a demanda pelo biocombustível.

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Esse movimento ainda seria reforçado pela entrada em vigor do E32, que amplia a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina e cria uma demanda estrutural adicional pelo combustível renovável.

Caso esse cenário se confirme, Novaes acredita que as usinas deverão direcionar uma fatia maior da cana para a produção de etanol.

“Quando houver esse repasse da gasolina, as usinas devem migrar o mix para ficar mais etanoleiras”, afirmou.

Hoje, porém, o mercado ainda vive um momento diferente. O pico da moagem no Centro-Sul mantém uma oferta elevada de etanol, pressionando os preços da commodity no curto prazo.

Menor oferta de açúcar pode sustentar preços

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Uma migração do mix para o etanol também teria reflexos sobre o mercado global de açúcar.

Como o Brasil responde por aproximadamente um quarto da produção mundial da commodity, uma redução da fabricação nacional diminuiria a oferta disponível e poderia impulsionar tanto os preços domésticos quanto as cotações internacionais.

Para o analista, a principal variável a ser acompanhada nos próximos meses será justamente a decisão das usinas sobre qual produto oferecerá maior rentabilidade.

Quais ações podem ganhar?

Entre as empresas listadas na Bolsa, o BTG vê oportunidades tanto entre as petroleiras quanto nas sucroenergéticas.

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Companhias mais expostas ao preço internacional do petróleo, como Prio (PRIO3), Petrobras (PETR4) e Brava Energia (BRAV3) tendem a capturar diretamente a valorização do Brent, embora, no caso da estatal, a política de preços dos combustíveis siga sendo um fator importante para acompanhar.

Já entre as empresas do setor sucroenergético, a preferência do banco é a São Martinho (SMTO3).

Segundo Novaes, a companhia possui maior flexibilidade operacional para alterar seu mix de produção entre açúcar e etanol, o que pode permitir capturar melhor um eventual aumento da rentabilidade do biocombustível.

Além do petróleo, o analista recomenda acompanhar outro fator capaz de mexer com o mercado de açúcar: as monções na Índia. Como o país também é um dos maiores produtores globais da commodity, qualquer impacto sobre sua safra pode reduzir a oferta mundial e ampliar a volatilidade dos preços no segundo semestre.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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