Economia

Bradesco (BBDC4): Economista-chefe vê chance de IA tornar Brasil mais eficiente, mas juros altos são risco

16 abr 2026, 18:24 - atualizado em 16 abr 2026, 18:24
mão robótica e mão de humano quase se tocando, com AI escrito no meio
Inteligência artificial - Foto: Unsplash

A inteligência artificial pode ajudar o Brasil a atacar um dos seus principais gargalos históricos — a baixa produtividade —, mas o ambiente de juros elevados ainda representa um freio relevante para essa transformação, na avaliação do economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato.

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Segundo ele, a tecnologia abre espaço para ganhos de eficiência em larga escala e pode, inclusive, reduzir desigualdades estruturais. No entanto, há o risco do país perder mais uma onda de desenvolvimento por questões estruturais.

“A tecnologia permite levar serviços de qualidade para regiões onde antes isso não chegava. Isso pode ter um impacto importante na eficiência da economia brasileira como um todo”, afirmou durante o VTex Day, realizado nesta quinta-feira (16).

Na visão do economista-chefe do Bradesco, os setores mais beneficiados tendem a ser aqueles com maior potencial de escala ou gargalos históricos de produtividade, como saúde, educação e serviços, onde a digitalização e o uso de dados podem acelerar processos e reduzir custos.

Apesar do potencial, Honorato pondera que o custo de capital elevado no Brasil ainda limita a velocidade dessa transformação. “Com juros altos, a adoção de tecnologia fica mais lenta — e isso acaba atrasando ganhos de produtividade”, disse.

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Juros minguam investimentos

Ele destaca que esse efeito não é trivial: ao encarecer investimentos, o ambiente de juros elevados reduz o apetite das empresas por inovação e posterga projetos que poderiam impulsionar a eficiência e o crescimento no médio prazo.

Esse quadro se conecta com um problema estrutural do país. Ao longo das últimas décadas, o Brasil cresceu abaixo da média global, em grande parte por conta de ganhos de produtividade mais limitados.

Ainda assim, o economista ressalta que o país tem capacidade de crescer mais quando evita crises macroeconômicas. “Quando o Brasil consegue manter estabilidade, ele cresce mais próximo do mundo. O problema é a recorrência de choques”, afirmou.

Nesse contexto, os juros elevados aparecem tanto como sintoma quanto como causa das dificuldades. Eles refletem riscos fiscais, mas também acabam travando investimentos e limitando o potencial de crescimento.

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Para Honorato, a solução passa necessariamente por um ajuste fiscal mais consistente — ainda que o caminho seja politicamente desafiador.

“O ajuste pelo lado dos gastos é mais difícil politicamente, mas não tem alternativa. É o caminho inevitável para reduzir juros de forma sustentável”, afirmou.

Na prática, segundo ele, sem um sinal crível de consolidação fiscal, o país continuará convivendo com taxas elevadas, o que tende a “acabar com a festa” justamente no momento em que a tecnologia poderia acelerar ganhos de produtividade e destravar crescimento.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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