Brasil desbanca Índia e vira país com maior adoção de criptomoedas, segundo Chainalysis
Este ano não tem sido exatamente como os especialistas em criptomoedas imaginavam. A expectativa que o bitcoin (BTC) alcançasse os US$ 100 mil ainda em 2026 acabou ficando para trás, visto que a moeda digital opera na casa dos US$ 84 mil. Apesar da desaceleração, o volume negociado do BTC registrou US$ 9,4 trilhões nos 12 meses encerrados em 30 de junho de 2026 — e o Brasil foi protagonista nessas movimentações.
À frente dos Estados Unidos, Nigéria e Japão, o Brasil passou a liderar a categoria adoção de criptomoedas em 2026 no ranking Global Crypto Adoption Index, elaborado pela Chainalysis.
Entre julho de 2025 e junho de 2026, o país gerou, com a economia cripto, cerca de US$ 252,5 bilhões.
Além disso, o país esteve nas primeiras posições de todas as outras categorias:
- 2º em fluxos internacionais
- 3º em fluxos totais para serviços cripto
- 3º em transações peer-to-peer dentro do país
- 4º em saldos mantidos on-chain
Como consequência das colocações, o Brasil foi o primeiro lugar geral do ranking.
Como o Brasil desbancou outros países
Os Estados Unidos ficaram com a segunda posição no ranking, seguido por Nigéria, Japão e Coreia do Sul. No último levantamento, a Índia liderava o ranking, neste ano, o país caiu para sexta posição.
| País | Posição no índice geral | Posição em fluxos totais | Posição em saldos on-chain | Posição na economia P2P | Posição em fluxos internacionais |
|---|---|---|---|---|---|
| Brasil | 1 | 3 | 4 | 3 | 2 |
| Estados Unidos | 2 | 1 | 1 | 20 | 11 |
| Nigéria | 3 | 18 | 18 | 1 | 1 |
| Japão | 4 | 4 | 7 | 10 | 4 |
| Coreia do Sul | 5 | 5 | 2 | 12 | 12 |
| Índia | 6 | 2 | 3 | 16 | 16 |
| Ucrânia | 7 | 8 | 8 | 6 | 6 |
| Tailândia | 8 | 25 | 6 | 5 | 8 |
| África do Sul | 9 | 33 | 16 | 4 | 3 |
| Canadá | 10 | 15 | 9 | 7 | 7 |
As diferenças drásticas de posição estão relacionadas a nova metodologia do índice. A partir deste ano, a Chainalysis passou a se basear em quatro pilares principais:
- Fluxos direcionados a serviços de criptomoedas
- Transações domésticas peer-to-peer
- Transferências internacionais
- Volume de ativos mantidos on-chain
Além disso, os dados são ajustados para refletir o nível de adoção em relação ao porte da economia de cada país. Para a Chainalysis, o resultado do Brasil indica que há, de fato, uma adoção dos ativos — o que vem sendo observado nos últimos anos.
Segundo dados anteriores da Chainalysis, o país concentrou cerca de US$ 318 bilhões em valor on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025, mantendo-se como o maior mercado de criptomoedas da América Latina e representando aproximadamente um terço do volume registrado na região.
A popularização de stablecoins no país
Segundo a Chainalysis, o valor de mercado global do setor de criptomoedas caiu cerca de 50% (cerca de US$ 2,1 trilhões). Apesar disso, a atividade on-chain recuou apenas 1,6%, de US$ 9,5 trilhões para US$ 9,4 trilhões.
Esse “equilíbrio” se deu graças à diversificação dos usos das criptomoedas, especialmente das stablecoins, as criptomoedas com lastro em ativos do mundo real, segundo a empresa.
As transferências internacionais com esses ativos cresceram 77,5% no período, enquanto a América Latina avançou 9,8%, impulsionada pela busca por alternativas às moedas locais e pelo uso crescente de ativos digitais.
No Brasil, a popularização das stablecoins, o avanço das fintechs e a dimensão do mercado ajudam a explicar o resultado. O relatório também aponta crescimento das operações de menor valor e forte expansão das transferências peer-to-peer (pessoa a pessoa).
*Sob supervisão de Renan Sousa