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Brasil trabalha em plano de apoio ao carvão e prevê modernizar usinas térmicas

03/05/2021 - 15:06
Usina de geração de energi
O movimento do Brasil ocorre enquanto nações desenvolvidas com menor uso de fontes limpas anunciam planos de deixar totalmente o carvão no setor de energia, devido a compromissos de reduções de emissões de carbono (Imagem: REUTERS/Thomas Peter)

Com uma matriz elétrica que tem mais de 80% das fontes renováveis, o Brasil trabalha no desenvolvimento de um plano de apoio à geração térmica com carvão, matéria-prima fóssil vista como importante para a economia de Estados da região Sul, onde o mineral é explorado, disse à Reuters o Ministério de Minas e Energia.

O movimento do Brasil ocorre enquanto nações desenvolvidas com menor uso de fontes limpas anunciam planos de deixar totalmente o carvão no setor de energia, devido a compromissos de reduções de emissões de carbono.

Instituições financeiras pelo mundo também têm anunciado que pararão de emprestar para novos projetos com o combustível fóssil por preocupações com sustentabilidade, o que inclusive está no radar do governo como um desafio, dado que o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu deixar de apoiar a fonte.

A pasta de Minas e Energia disse que “está trabalhando em um programa para o uso sustentável do carvão mineral nacional” e que seus planos de longo prazo para o setor contemplam uma política de modernização de usinas da fonte que chegarão ao final da vida útil.

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“O Brasil contém grandes reservas de carvão mineral… dentro do contexto brasileiro de diversidade e abundância de recursos, esse energético se mostra relevante para o país e os Estados do Sul, devido a sua contribuição econômico-regional, ambiental e energética”, defendeu a pasta em nota, em resposta à Reuters.

O ministério destacou ainda que tem analisado a questão de financiamento de projetos a carvão, vista como vital para que eles sejam competitivos em leilões por meio dos quais o governo contrata novos empreendimentos de geração.

Para a pasta de Minas e Energia, um plano federal voltado ao combustível fóssil poderá ajudar nesse sentido.

“É possível que a própria sinalização ao público oferecida por um programa de governo à fonte influencie positivamente e, dessa maneira, o espaço de soluções seja aperfeiçoado de modo que empreendedores e investidores naturalmente encontrem alternativas de linhas de crédito competitivas”, explicou.

O Brasil tem hoje cerca de 3 gigawatts em térmicas a carvão mineral, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Isso equivale a quase 2% da capacidade no país.

Embora a presença não seja significativa, os planos de manter essas usinas contrastam com anúncios de países como o Reino Unido, que propôs banir térmicas a carvão em 2024, e a Alemanha, que aprovou desativar essas usinas até no máximo 2038.

Na China, o presidente Xi Jinping disse em abril que quer começar a cortar o consumo de carvão a partir de 2026, em meio a metas mais amplas de redução de emissões.

(Imagem: PIxabay/jplenio )

Entre bancos, os asiáticos HSBC, Sumitomo Mitsui, Mizuho, Mitsubishi UFJ e DBS Group já anunciaram planos para deixar de financiar térmicas da fonte, enquanto o suíço Credit Suisse tem sido pressionado por investidores a fazer o mesmo.

No Brasil, o BNDES não fornece crédito a usinas a carvão, focando em projetos de geração renovável e a gás. O Ministério de Minas e Energia disse que isso deve-se em parte ao fato de que o próprio banco estatal tem captado recursos no exterior para bancar suas operações, “tornando os empréstimos ainda mais vinculados à economia verde”.

Usina em Santa Catarina

As discussões no governo sobre o carvão envolvem também o destino do chamado Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, após a operadora da usina, Engie Brasil Energia, ter anunciado que pretende vender ou desativar a unidade até 2025.

O Ministério de Minas e Energia disse que criou um grupo de trabalho para discutir o tema e “vem buscando uma solução” para o empreendimento, em meio a preocupações com territórios mineiros de Santa Catarina que dependem da exploração de carvão.

A francesa Engie, que controla a usina, tem desinvestido de ativos de carvão pelo mundo e no Brasil, com intenção de focar em renováveis e no gás, visto como “combustível de transição”.

“Globalmente, em 2016, o carvão representava 14% da produção de eletricidade pela Engie considerando todas as suas operações no mundo. Em 2021, o carvão representa apenas 4%”, disse a empresa à Reuters.

A elétrica assinou acordo de exclusividade em fevereiro para avaliar possível venda da usina em Santa Catarina à gestora de recursos FRAM Capital.

Engie Brasil EGIE3
A francesa Engie, que controla a usina, tem desinvestido de ativos de carvão pelo mundo e no Brasil, com intenção de focar em renováveis e no gás, visto como “combustível de transição”(Imagem: Reuters/Stephane Mahe)

“Na hipótese de não concretização de uma operação de venda nos próximos meses, o planejamento do descomissionamento faseado do ativo –que continua em execução– deverá ser implementado”, afirmou a empresa.

Segundo a Engie, um fechamento gradual até 2025 garantiria tempo para medidas de mitigação e compensação dos impactos gerados à economia local, o que tem sido discutido junto ao governo e à potencial compradora do complexo catarinense.

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Última atualização por Rafael Borges - 03/05/2021 - 15:06

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