É hora de comprar Weg (WEGE3)? Safra aponta empresa como uma das suas favoritas e vê potencial de alta de 22,8%
A Weg (WEGE3) publicou seu balanço referente ao segundo trimestre de 2026 (2T26) há alguns dias e chamou a atenção dos analistas do Safra. Após os resultados, o banco elevou a recomendação de neutro para compra, com um preço-alvo de R$ 59,20 para os próximos 12 meses.
Isso representa um potencial de alta de 22,8% em relação ao fechamento do mercado da última segunda-feira (3), de R$ 48,20.
Mesmo com a alta recente, a ação ainda está com desconto em relação ao seu valuation histórico: ela é negociada a cerca de 25,8 vezes o lucro projetado para 2027, patamar aproximadamente 8% abaixo da média.
A ação também foi incluída na Carteira Safra Top 10 Ações para agosto, entrando no lugar de Bradesco (BBDC4). Com a inclusão, Weg passa a representar 10% da composição da carteira.
Isso não significa, porém, que a empresa tenha apresentado um excelente desempenho no primeiro semestre do ano. Na verdade, a receita caiu, as margens recuaram e até o lucro encolheu. O ambiente macroeconômico está mais difícil e a empresa sofreu com a falta de grandes projetos de energia solar.
Mas o mercado esperava uma queda maior e a manutenção da rentabilidade e do retorno sobre o capital investido saltou aos olhos dos investidores.
“A companhia enfrentou uma base de comparação elevada em projetos de geração solar centralizada, impactos cambiais desfavoráveis e custos relacionados à ampliação de capacidade produtiva”, disse o Safra.
Qual a visão para o futuro da Weg
Para os próximos trimestres, a situação tende a melhorar gradualmente, acredita o banco, e a Weg deve ver a receita avançar 14% no segundo semestre em relação ao primeiro.
O cenário brasileiro deve se estabilizar, permitindo que que a empresa feche mais contratos para projetos de longo prazo.
A companhia também deve se beneficiar da expansão da unidade de Betim (MG). A fábrica, adquirida em 2020, recebeu investimentos de R$ 370 milhões para ampliar em 10% sua capacidade de produção.
Além disso, a fabricante deve colher os resultados da expansão de suas operações no México e na Colômbia: desde 2023 ela investiu R$ 1,2 bilhão para expandir a capacidade de produção nesses países e no Brasil.
Para este ano, a projeção do Safra aponta para de 21,8%, sustentada por um mix de produtos mais favorável, crescimento gradual da receita e maior diluição de custos fixos. Essa foi a margem apresentada no segundo trimestre.
“A nova margem é uma declaração de um novo patamar para a Weg, mais perto de 22%, em função de um melhor mix de produtos e uma dinâmica de setor mais benéfica”, escrevem os analistas do BTG em relatório sobre o resultado.
Com a estabilização em 2026, a atenção dos investidores deve migrar gradualmente para o desempenho esperado em 2027 e 2028.
O banco projeta crescimento de receita de 16% em 2027 e de 19% em 2028, impulsionado pelo amadurecimento dessas unidades e pelo aumento da capacidade produtiva.
Gatilhos e riscos da tese da Weg
Sistemas de baterias e armazenamento de energia, condensadores síncronos que ajudam a estabilizar redes elétricas e soluções para mobilidade elétrica, além de data centers, são novas avenidas de crescimento para a empresa, diz o Safra.
A expectativa é de expansão da rentabilidade nesses anos, impulsionada principalmente pelo aumento da produção de transformadores, mais rentáveis para a empresa. O Safra projeta margem Ebitda de 22,5% em 2027 e de 22,9% em 2028.
Entre os riscos para a tese destacados pelo Safra, estão crescimento abaixo das projeções, demanda mais fraca nos principais mercados atendidos, menor consumo de energia em mercados relevantes, redução dos investimentos industriais, volatilidade nos preços de commodities e impacto das tarifas norte-americanas superior ao estimado.
*Com informações do Seu Dinheiro