Braskem (BRKM5) tomba mais de 11% após novo prejuízo no 4T25; confira o que dizem os analistas
A Braskem (BRKM5) chegou a tombar, na mínima intradia, 11,53%, a R$ 8,98, após reportar resultados fracos, com prejuízo líquido de R$ 10,284 bilhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), alta de 82% em relação ao mesmo período de 2024.
O Ebitda recorrente da companhia alcançou R$ 589 milhões no trimestre, crescimento de 6% frente ao ano anterior, enquanto a receita líquida caiu 16%, somando R$ 16,101 bilhões entre outubro e dezembro.
O balanço foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG, embora os auditores tenham registrado “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia”.
Segundo analistas, os resultados do 4T25 da Braskem apontam continuidade na tendência de queima de caixa, liquidez restrita e números impactados negativamente pelo ciclo de baixa do setor petroquímico.
Por volta das 13h20 (horário de Brasília), BRKM5 recuava 10,25%, a R$ 9,11.
Liquidez da Braskem segue restrita
Para o BTG Pactual, apesar do maior nível de caixa da Braskem, de US$ 2,1 bilhões no 4T25, ante US$ 1,3 bilhão no trimestre anterior, a liquidez da companhia permanece restrita, uma vez que a empresa possui cerca de US$ 1,5 bilhão em vencimentos em 2026.
Além disso, o banco destaca que os passivos relacionados a Alagoas caíram para R$ 3,5 bilhões no período, contra R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre, o que reflete pagamentos realizados no 4T25.
O BTG considera que o Ebitda mais fraco da companhia foi impactado pelo ciclo de baixa do setor petroquímico no Brasil e cenário de custos desafiador para Estados Unidos e Canadá. Por outro lado, México apresentou melhora relacionada à maior disponibilidade de matéria-prima.
Apesar da possível melhora nos resultados da Brakem com fretes mais altos, melhores preços no Brasil e a sazonalidade da demanda, o foco dos investidores, segundo o BTG, deve seguir na reestruturação em andamento e nos potenciais impactos para os acionistas minoritários.
“Uma combinação de conversão de dívida em capital (para melhorar a estrutura de capital) e/ou uma injeção de capital (para melhorar a liquidez no curto prazo) pode levar a um cenário de diluição para os acionistas minoritários”, apontam os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.
O BTG mantém a recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 9, implicando em um potencial de desvalorização de 11% em relação ao fechamento anterior (26).
Queima de caixa da BRKM5 continua
O Banco Safra avalia que tendência de queima de caixa continuou, com a Braskem reportando queima de US$ 140 milhões, embora menor que no trimestre anterior, devido a menores desembolsos de capex e juros pagos.
“Permanecemos cautelosos com a tese de investimento na Braskem, principalmente devido ao cenário atual de spreads petroquímicos deprimidos. Avanços recentes no regime tributário para o setor petroquímico, juntamente com possíveis efeitos positivos de tensões geopolíticas elevadas, podem trazer algum alívio ao ambiente operacional da empresa, mas a alavancagem financeira permanece elevada”, afirma.
O banco destaca que o resultado no Brasil refletiu principalmente menores volumes de vendas de resinas e químicos básicos, além de compressão de spreads em dois dígitos em praticamente todos os segmentos.
Segundo o Safra, esses efeitos foram parcialmente compensados por créditos tributários de US$ 454 milhões da Braskem, majoritariamente relacionados a investimentos no Reiq e à CIDE-Combustíveis, além de US$ 9 milhões em créditos relacionados à compra de matéria-prima (Reiq).
“Por outro lado, houve impactos negativos de provisões ambientais para unidades industriais e perdas de estoques, associadas à hibernação da planta de cloro-álcali em Alagoas”, apontam os analistas Conrado Vegner e Vinícius Andrade.
O banco mantém recomendação neutra para a BRKM5, com preço-alvo de R$ 18. O valor implica em um potencial de valorização de 77%, em relação ao fechamento de ontem.
Resultados mais fracos com ciclo de baixa do setor petroquímico
A XP Investimentos, em relatório, considera que, embora os resultados tenham sido ligeiramente melhores do que o esperado, eles permanecem em níveis baixos devido ao atual ciclo de baixa do setor petroquímico.
“A queda sequencial foi impulsionada principalmente por spreads mais fracos e volumes de vendas menores tanto para resinas quanto para produtos químicos no Brasil”, detalha o analista da XP Regis Cardoso.
Na quarta-feira (26), o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou medidas antidumping definitivas sobre as importações de resina de polietileno provenientes dos EUA e do Canadá.
Enquanto são aguardados maiores detalhs da decisão, notícias indicam que as tarifas permanecerão inalteradas em relação à medida preliminar – ou seja, US$ 199,04 a tonelada para os EUA e US$ 238,49 a tonelada para o Canadá. A avaliação da XP é de que é provável que o mercado reaja negativamente.