Braskem (BRKM5): Melhora nos spreads deve favorecer resultado, diz BB Investimentos
A Braskem (BRKM5) deve apresentar melhora de rentabilidade no segundo trimestre de 2026, considerando a base trimestral, impulsionada pela recuperação dos spreads petroquímicos, mas os desafios estruturais do setor ainda limitam uma retomada mais consistente, disse o BB Investimentos.
Mais cedo, a empresa informou que teve queda de vendas de principais químicos (5%), resinas (8%) e de polietileno verde (19%) no Brasil, enquanto na Europa e Estados Unidos houve recuo 1% e no México, queda 20%. Porém, os spreads petroquímicos, ou a diferença entre o preço do produto final da Braskem e o custo da matéria-prima, dispararam 69% em resinas e 67% em principais químicos no Brasil, ao passo que nos EUA e Europa houve crescimento de 24% e no México, 98%.
Para o analista Daniel Cobucci, os dados operacionais do 2T26 mostram volumes pressionados e baixa utilização das plantas, refletindo a demanda ainda fraca. Por outro lado, a alta dos spreads de resinas e químicos, em um cenário de maior volatilidade internacional após os conflitos no Oriente Médio, deve trazer impacto positivo para os resultados.
Segundo o banco, o trimestre marca uma recuperação diferente da observada no início do ano: enquanto o 1T26 teve melhora baseada em maior utilização das unidades, o 2T26 deve ter como principal vetor a expansão de margens.
Mudanças estruturais
O BB Investimentos destaca que a recuperação ainda depende de mudanças estruturais, como melhora no equilíbrio entre oferta e demanda global, maior competitividade de custos e redução das pressões sobre a operação mexicana.
No Brasil, a taxa de utilização subiu 1 ponto percentual no trimestre, para 70%, mas as vendas de resinas recuaram 2% na comparação trimestral e 8% em um ano, pressionadas pelas importações. Em contrapartida, os spreads de resinas cresceram 82% e os de principais químicos avançaram 98%.
Nos Estados Unidos e Europa, a utilização caiu para 76%, afetada por paradas programadas, mas os volumes vendidos ficaram estáveis. Já no México, a operação continuou como principal ponto de pressão, com a taxa de utilização recuando para 43% e as vendas caindo 11%.
O BB Investimentos também avalia como positivos os avanços recentes em governança, com o acordo de acionistas entre Petrobras (PETR3;PETR4) e IG4, além do processo de mediação com credores. No entanto, ressalta que a elevada alavancagem e as incertezas sobre a reestruturação financeira continuam pesando sobre a tese de investimento.
O banco manteve recomendação Neutra para as ações da Braskem, considerando que a relação risco-retorno permanece desfavorável.
Os papéis da companhia acumulam queda de 34% nos últimos 12 meses, enquanto o Ibovespa avança 32% no período. Nesta sexta-feira (31), as ações recuavam pouco 0,5%.