Juros Futuros

Juros futuros médios e longos avançam com STF e petróleo no radar

15 set 2026, 18:59
porcentagem de inflação
(Imagem: inkdrop)

A curva de juros futuros ganhou força nos vencimentos de médio e longo prazo nesta terça-feira (15), pressionados pela nova rodada de alta do petróleo Brent, que está mais próximo dos US$ 110, e o julgamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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Na véspera da Super Quarta, a curva doméstica mostra 96% de chance de que a taxa Selic seja reduzida dos 14% ao ano para 13,75% em setembro.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,580%, de 13,585% do fechamento anterior, perto da estabilidade.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,940%, ante 13,867% do fechamento anterior, avanço de mais de 7 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 10 pontos-base e terminou o dia a 14,375%, ante 14,275% do fechamento da última sexta-feira (14).

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Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,671%, ante 4,634% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília).

Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 5,006%, de 4,961% da última segunda-feira, no mesmo horário.

O que mexeu com os DIs hoje?

“O protagonista na abertura dos juros é a espécie de crise institucional no STF que, para a atividade econômica, é muito importante. Nesse ambiente de insegurança, o mercado financeiro captura essa incerteza e transforma em algum prêmio”, comenta o head de renda fixa da Suno Research, Guilherme Almeida.

A sessão plenária do STF sobre Moraes foi marcada por um momento de tensão entre o presidente do STF, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino, e também por um bate-boca dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça – com Moraes acusando parcialidade do colega na apuração. Gilmar Mendes chegou a apresentar uma ordem em que defendeu a suspensão do julgamento, mas por volta das 17h Fachin disse que a percepção é de que tanto Moraes quanto Mendonça devem votar.

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A apreensão com essa discussão faz o mercado recolher um pouco a guarda, segundo o gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos. Fora isso, a alta dos juros desta terça se dá pelo “ambiente externo mais adverso, com escalada da guerra que faz os preços derivados do petróleo avançarem”, acrescenta.

O petróleo Brent para novembro subiu 2,9%, a US$ 108,75 por barril, diante de impactos sobre a oferta da commodity na Arábia Saudita após ataques dos houthis, do Iêmen, a um importante oleoduto no país.

No quadro técnico, o Tesouro Nacional vendeu nesta terça a oferta total de 1,15 milhão de NTN-B e de 750 mil LFT. O movimento chamou a atenção de Almeida, da Suno: “Mesmo nesse cenário de incerteza, que conta também com pesquisas eleitorais, o mercado tem mostrado apetite para absorver essas emissões, o que é positivo para o Tesouro”, avalia.

No front eleitoral, pesquisa CNT/MDA mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando as intenções de voto no segundo turno acima da margem de erro, com 47,3%, contra 40% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Já a pesquisa Indexa/Broadcast tem Lula com 43% das intenções de voto, ante 42% de Flávio. A diferença entre os dois passou de cinco pontos porcentuais em agosto para um ponto em setembro, configurando empate técnico.

O que mexeu com os Treasuries?

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No exterior, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos operaram em alta, com o rendimento de 10 anos batendo a máxima de 5.041%, o maior nível desde 2007.

O mercado espera uma alta de 0,25 ponto percentual na decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), diante da dinâmica inflacionária e dos preços elevados do petróleo.

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Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
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