BRB: Moody’s corta nota de crédito e vê risco elevado sem aporte de capital
A Moody’s Local Brasil cortou os ratings do Banco de Brasília (BRB) de BBB-.br para CCC+.br, colocando a instituição em um patamar considerado de alto risco de crédito.
Segundo agência de classificação, os ratings seguem em revisão para rebaixamento, indicando que novas quedas não estão descartadas.
A decisão da Moody’s reflete a provável necessidade de uma injeção relevante de capital no banco, diante das incertezas sobre perdas ligadas a ativos adquiridos do Banco Master — operações que ainda estão sendo investigadas.
Além disso, outro fator que pesou foi o atraso na divulgação das demonstrações financeiras. O BRB não apresentou os resultados de 2025 dentro do prazo regulatório de 31 de março de 2026, o que, na avaliação da agência, amplia significativamente a incerteza sobre a real situação financeira da instituição.
Capital sob pressão
A Moody’s avalia que o BRB deve precisar de pelo menos R$ 6,6 bilhões para recompor seu patrimônio e manter a solvência. O banco já vinha operando com índices de capital próximos ao mínimo regulatório desde 2022.
Sem um reforço, há risco de desenquadramento das exigências do Banco Central (BC), o que pode levar a sanções e até intervenção.
A agência lembra que o plano inicial previa o uso de ativos públicos e empresas ligadas ao governo do Distrito Federal como garantia para captação de recursos. No entanto, entraves jurídicos colocaram essa estratégia em dúvida.
“O impacto das operações com o Master está sob análise desde o início da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Desde então, o BRB contratou uma auditoria forense, que, juntamente com as investigações em andamento, visa esclarecer o montante exato de perdas que deverá reconhecer em decorrência dessas operações”, disse a Moody’s.
“Em razão do aumento do provisionamento e reconhecimento de perdas nos ativos, o banco deve necessitar de aportes de capital adicionais para manter sua solvência”, prosseguiu.
Governança e suporte do controlador em xeque
Outro ponto citado é a governança. A Moody’s aponta fragilidades na estrutura do BRB e ressalta que os ratings já não incorporam mais suporte do controlador, o governo do Distrito Federal.
Embora reconheça o histórico de aportes feitos em 2024 e 2025, a agência vê limitações na capacidade do governo de Brasília de levantar recursos no volume necessário.
“Considerando a revisão para rebaixamento, uma elevação das notas é improvável no momento. Os ratings podem ser confirmados caso o banco demonstre capacidade de execução de um plano de recomposição de capital”, explicou a Moody’s ao citar os próximos passos.
“Ainda, caso as investigações em curso e o relatório final dos auditores independentes não revelarem indícios de falhas ou má conduta, e o impacto financeiro para o banco não seja material, poderia ter um impacto positivo nesta revisão.”