BTG aponta um dos melhores setores para investir em ações brasileiras — e quais olhar em 2026
Após um ano de 2025 bem-sucedido para serviços básicos, o BTG Pactual ainda vê o setor como um dos melhores lugares para investir em ações brasileiras. Tendo em vista uma combinação de taxas de juros em queda, perspectivas eleitorais incertas, fundamentos sólidos e exposição relativamente baixa ao resultado político de 2026, o banco vê o setor como atraente em termos relativos.
Neste sentido, a equipe de analistas liderada por Antonio Junqueira aponta Eneva (ENEV3), Copasa (CSMG3) e Sanepar (SAPR11) como os potenciais nomes com melhor desempenho em 2026.
“Estamos classificando-as como teses de gatilhos, pois entendemos que elas podem enfrentar revisões positivas de valuation devido a eventos específicos que podem ocorrer no ano”, colocam os analistas.
Na visão do banco, apesar do forte desempenho e dos baixos prêmios de risco em termos históricos, o setor figura como um dos melhores para se posicionar em termos relativos, uma vez que a redução das taxas de juros e a previsibilidade do setor configuram um segmento para fazer frente às incertezas do período eleitoral.
Teses de carrego
Nas teses de carrego, os pilares permanecem intactos, tendo em vista que os valuations não alteram significativamente as características das companhias.
“Doze meses atrás, todas as teses de carrego estavam bastante baratas, tornando relativamente fácil investir pesado nesse grupo. Atualmente, acreditamos que a decisão é mais uma escolha de gestão macro de portfólio”, diz o BTG.
Os analistas ponderam que, diferente do início de 2025, quando essa classe de ativos era vista como barata e segura, agora vale questionar quanta exposição é desejada, considerando o cenário macroeconômico e os níveis reduzidos de prêmio.
O BTG ainda vê o cenário como favorável para uma exposição relativa significativa neste grupo, apontando como as principais teses de carrego Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3) e Copel (CPLE3).
“Acreditamos que as três principais empresas de carrego têm oportunidades de alocação de capital em 2026. A Sabesp está exposta ao “Universaliza SP” (novas privatizações de concessões no estado de SP) e pode apresentar uma oferta (em parceria com a Equatorial) pela Copasa”, dizem os analistas.
Já no caso da Copel, a expectativa é de que a companhia se beneficie do Leilão de Capacidade, que ocorre em março deste ano, enquanto a Equatorial continua explorando oportunidades de alocação de capital no setor de saneamento e no segmento de distribuição de energia, em que os analistas esperam um aumento no número de fusões e aquisições.
Segmento de energia
Do lado de geração, o BTG aponta que os preços de energia e seu impacto sobre as ações, em especial da Axia Energia (AXIA3), ex-Eletrobras, figuram entre as maiores surpresas de 2025.
“Embora seja difícil imaginar que uma expansão de múltiplos tão forte volte a ocorrer, acreditamos que ainda há algum potencial a ganhar com esta história”, diz o banco.
O banco destaca que os preços implícitos da energia a longo prazo para a Axia, por exemplo, subiram de R$ 110/MWh (Megawatt-hora) no início de 2025 para R$ 185/MWh. Na visão do BTG, mais um ano de preços spot elevados e melhorias na governança dos preços spot podem levar os investidores a esperar preços ainda mais altos.
“Outras ações podem se beneficiar do aumento dos preços da energia, como a Auren, embora o ano ainda possa ser difícil para os lucros da maioria das empresas de geração, já que muitas delas não têm energia disponível para vender este ano”, avaliam os analistas.