Taxa Selic

BTG vê espaço para mais um corte da Selic em setembro, mas alerta para pausa no ciclo

06 ago 2026, 12:02
Economia, taxa Selic, Copom, Banco Central, inflação, IOF, Projeções, XP Investimentos
(Imagem: iStock/ Rmcarvalho/Canva)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, na decisão desta quarta-feira (5), em linha com as expectativas do mercado. Para o BTG Pactual, o comunicado preservou a possibilidade de novos cortes, mas trouxe sinais de cautela que tornam mais provável uma pausa no ciclo de afrouxamento monetário ainda este ano.

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Na avaliação do banco, o Copom não sinalizou explicitamente nem a continuidade das reduções nem uma interrupção do ciclo. A autoridade monetária manteve a comunicação formalmente aberta ao afirmar que a magnitude total do processo de calibração dos juros dependerá da evolução do cenário econômico.

“Algumas ressalvas na avaliação do arrefecimento do ciclo econômico, além da preocupação com a desancoragem das expectativas e os riscos em torno do cenário-base, tornam mais plausível um cenário de pausa ainda este ano”, afirmou o BTG.

Inflação no horizonte relevante

Um dos principais pontos destacados pelo banco foi a projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. A estimativa permaneceu em 3,2%, em linha com a projeção do próprio BTG e com a maior concentração das respostas da pesquisa pré-Copom realizada pela instituição.

A projeção para os preços livres ficou em 3,1%, abaixo da apresentada no último Relatório de Política Monetária. Segundo o BTG, uma possível explicação é uma atualização na magnitude do efeito anteriormente incorporado do fenômeno El Niño, que teria levado a uma elevação da projeção para o fim de 2027 e, posteriormente, a uma redução no horizonte relevante.

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Para o banco, o reconhecimento pelo Copom de uma moderação da atividade econômica e da inflação veio na direção esperada. No entanto, o comitê incluiu ressalvas que dificultam interpretar essa melhora como uma tendência já consolidada.

O comunicado destacou que a atividade econômica permanece em patamar resiliente, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido. Além disso, a inflação cheia continua acima do limite superior da meta.

Incerteza e expectativas preocupam

Na leitura do BTG, a melhora de alguns indicadores foi contraposta por uma avaliação mais cautelosa dos riscos. O Copom ressaltou o aumento significativo da incerteza, a desancoragem das expectativas de inflação e os riscos elevados em torno do cenário-base.

Essa combinação, segundo o banco, é importante para entender os próximos passos da política monetária. Embora a inflação corrente mais favorável, a moderação da atividade e a projeção de inflação próxima à meta no horizonte relevante deem espaço para mais uma redução dos juros, os riscos ainda recomendam cautela.

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“O comunicado ainda é compatível com mais um corte de 25 pb em setembro”, avaliou o BTG, destacando que a melhora do cenário de inflação e a desaceleração da atividade sustentam essa possibilidade.

BTG mantém Selic em 13,75% no fim de 2026

Diante desse cenário, o BTG Pactual manteve a projeção de apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual em setembro. Com isso, a Selic chegaria a 13,75% ao ano no fim de 2026.

Para o banco, porém, a decisão desta quarta-feira reforça a possibilidade de o Banco Central interromper o ciclo de cortes posteriormente. A cautela com a atividade, a permanência do mercado de trabalho em nível considerado aquecido, as expectativas de inflação desancoradas e o aumento da incerteza podem limitar o espaço para novas reduções dos juros.

A leitura do BTG é de que o Copom ainda mantém a “opcionalidade” para setembro, mas sem assumir compromisso com a continuidade do ciclo. O próximo corte, portanto, permanece no cenário-base do banco, enquanto uma pausa após a reunião de setembro ganha força.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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