C&A (CEAB3): Após derrocada de 20% em 2026, o que fazer com as ações?
As ações da C&A (CEAB3) entraram no radar do mercado logo na primeira semana do ano, após um possível desempenho de vendas no Natal aquém do esperado despertar um alerta sobre os números do quarto trimestre de 2025, que devem ser divulgados no próximo mês.
Apenas nos sete primeiros dias de 2026, a companhia acumula queda na ordem de 20% na Bolsa. Em um primeiro momento, a leitura do mercado foi de uma realização de lucros, no entanto, logo veio à tona que a varejista teria antecipado para analistas setoriais dados preliminares do quarto trimestre de 2025 — e os números não são bons.
De acordo com o Brazil Journal, as vendas mesmas lojas (descritas no balanço por SSS, same-store sales) não registraram crescimento nos últimos três meses do ano passado. Essa é uma métrica importante do varejo, e a expectativa do mercado era de crescimento entre 4% e 5% na comparação anual.
Neste cenário, o UBS BB revisou as estimativas para a varejista, incorporando o menor fluxo de visitantes nos shoppings em dezembro, particularmente durante o período natalino.
Ainda que as vendas do quarto trimestre provavelmente decepcionem, os analistas continuam a destacar a sólida geração de fluxo de caixa livre da C&A, sustentada pelo controle das despesas gerais e administrativas (SG&A) e pela contínua desalavancagem do balanço patrimonial.
“Esperamos que a empresa tenha encerrado o quarto trimestre com uma posição de caixa líquida de R$ 26 milhões, o que a deixa bem posicionada para financiar investimentos em logística e reformas de lojas, o que deve sustentar uma recuperação gradual da receita. Agora, projetamos um lucro líquido de R$ 511/566 milhões para 2026/27”, dizem os analistas do banco.
O UBS BB mantém a recomendação de compra, com um uma redução do preço-alvo de R$ 23 para R$ 20 por ação, o que representa um potencial de alta de 87% em relação ao último fechamento, quando CEAB3 fechou cotada a R$ 10,69.
Desempenho das ações da C&A
As ações da C&A operam em queda no pregão desta quarta-feira (7), em um dia negativo para o Ibovespa (IBOV).
Por volta de 13h10, CEAB3 caía 3,93%, a R$ 10,27. A queda acumulada nos primeiros pregões do ano gira em torno de 20%. Acompanhe o tempo real.
Os analistas do UBS BB observam que as tendências de receita da companhia se mantiveram estáveis em outubro, mas enfrentam uma deterioração sequencial em novembro devido ao clima adverso e a um dezembro decepcionante, em meio a um tráfego mais lento e à falta de sortimento mais acessível.
O banco observa um aumento da intensidade promocional no setor varejista como um todo, tanto offline quanto online, com nomes de peso como a Amazon, Mercado Livre e Shopee. Ao mesmo tempo, eventos promocionais com data dupla (como o 11.11) ganharam mais relevância no Brasil, o que pode pressionar os gastos discricionários e a participação na carteira do consumidor.