Camil (CAML3): Lucro cai 47,5% no 2T26, para R$ 41 milhões; receita recua 7,2%
A Camil (CAML3) registrou lucro líquido de R$ 41 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), queda de 47,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem líquida passou de 2,6% para 1,5%.
A companhia adota um calendário de resultados diferente daquele seguido pelas empresas que acompanham o ano civil. Seu exercício social começa em março e termina em fevereiro do ano seguinte. Assim, o 2T26 da Camil corresponde aos meses de junho a agosto de 2026, enquanto o segundo trimestre do calendário convencional abrange abril a junho.
A receita líquida somou R$ 2,765 bilhões, recuo de 7,2% na comparação anual. Frente ao primeiro trimestre de 2026, porém, houve crescimento de 3,6%.
O Ebitda, que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 225,3 milhões, queda de 10,1% em um ano. A margem Ebitda ficou em 8,2%, redução de 0,3 ponto percentual. Na comparação trimestral, o indicador avançou 7,3%, com expansão de 0,3 ponto percentual na margem.
Apesar da redução no faturamento, o lucro bruto cresceu 1,2%, para R$ 681,9 milhões, favorecido pela queda de 9,7% no custo dos produtos vendidos. A margem bruta chegou a 24,7%, alta de 2,1 pontos percentuais.
Já as despesas com vendas, gerais e administrativas passaram a representar 19,6% da receita líquida, ante 16,7% um ano antes, aumento de 2,9 pontos percentuais.
Divisão de alto valor cresce, enquanto grãos e açúcar perdem volume
No Brasil, a divisão de alto valor — que reúne massas, biscoitos, café e pescados — apresentou crescimento de 14,1% no volume vendido, para 51,6 mil toneladas. O preço líquido por quilo avançou 20% na comparação anual, para R$ 18,75.
Em relação ao trimestre anterior, o volume dessa divisão aumentou 5,2%, enquanto o preço líquido subiu 7%.
O desempenho contrastou com o da divisão de alto giro, que engloba grãos e açúcar no mercado brasileiro. Nesse segmento, as vendas somaram 335,9 mil toneladas, queda de 4,6% em um ano. O preço líquido, por outro lado, avançou 10%, para R$ 3,89 por quilo.
Nas operações internacionais, que abrangem Uruguai, Chile, Peru, Equador e Paraguai, o volume vendido recuou 8,3%, para 217,1 mil toneladas. O preço líquido caiu 18,3%, para R$ 3,15 por quilo.
Dívida líquida diminui no trimestre, mas alavancagem segue em 4,7 vezes
A Camil encerrou agosto com dívida líquida de R$ 4,083 bilhões, queda de 3,1% em relação a maio. Na comparação com agosto de 2025, contudo, o endividamento líquido cresceu 17,8%.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, ficou em 4,7 vezes, estável frente ao trimestre anterior e acima das 4,1 vezes registradas um ano antes.
O capital de giro somou R$ 2,867 bilhões, redução de 4,8% na comparação trimestral. Segundo a companhia, a operação de arroz apresenta sazonalidade: os primeiros trimestres normalmente exigem mais capital de giro, enquanto o quarto costuma registrar liberação desses recursos.