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Carros 100% a etanol: avanço ou retrocesso? Pecege e Evolua defendem opção; Bradesco vê bolso como decisivo

28 set 2026, 18:41 - atualizado em 28 set 2026, 18:45
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(iStock.com/Lightspruch)

Carros movidos exclusivamente a etanol representam um avanço para o biocombustível ou um retrocesso diante dos modelos flex e elétricos?

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Para representantes do Pecege e da Evolua Etanol, a alternativa pode ampliar as opções do consumidor e estimular a cadeia produtiva. Já na avaliação de Filipi Cardoso, especialista de agro do Bradesco — Pesquisa Econômica, o fator decisivo será a vantagem financeira para o motorista.

O assunto foi discutido durante o painel “O dilema do etanol no Brasil: sobreoferta ou sobredemanda?”, da 9ª Conferência Nova Cana. Uma pergunta da audiência colocou em debate se eventuais incentivos do governo a veículos exclusivos a etanol representariam um passo atrás.

“Eu acho que não seria um retrocesso, mas é mais uma opção”, afirmou João Rosa, sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos.

Na avaliação dele, oferecer um modelo abastecido somente com o biocombustível amplia as possibilidades de escolha e pode incentivar uma atividade que gera emprego, renda e arrecadação, especialmente nos municípios ligados à produção.

Pecege: o consumidor precisa ter opção

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Rosa defendeu que o debate considere os efeitos econômicos da cadeia do etanol e a liberdade de decisão do comprador.

“Eu acho que a gente tem que dar a opção para o consumidor escolher o que ele quer”, disse.

Para o executivo, municípios cuja economia está ligada ao setor têm razões para estimular o uso do combustível, já que parte dos benefícios dessa atividade retorna à própria região.

Ele ponderou, porém, que o carro flex já oferece uma ferramenta importante para aumentar a demanda. Segundo a estimativa citada por Rosa no painel, apenas um terço dos usuários abastece com etanol, enquanto os outros dois terços utilizam gasolina.

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Assim, além de desenvolver veículos exclusivos, o setor tem o desafio de conquistar motoristas que já podem escolher o biocombustível, mas continuam optando pelo combustível fóssil.

A continuidade dos modelos 100% a etanol, na visão do executivo, dependeria da aceitação comercial. Se a proposta não encontrar compradores, tende a perder força. Caso seja bem-sucedida, pode estimular outras montadoras a seguir o mesmo caminho.

Bradesco: o bolso vai decidir

Cardoso colocou a conta do consumidor no centro da discussão. Para o especialista do Bradesco, os incentivos públicos podem influenciar a escolha, mas o motorista tende a optar pela alternativa que ofereça maior vantagem financeira.

Essa lógica, segundo ele, vale para diferentes tecnologias: elétricos, híbridos e veículos abastecidos exclusivamente com etanol ou gasolina.

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“Eu acho que o bolso é o que vai ditar no final como que esse setor vai caminhar”, afirmou.

O economista também destacou um aspecto fiscal. Na avaliação dele, a eletrificação da frota reduz as vendas de combustíveis e a arrecadação associada a esse consumo, uma questão que precisa entrar no debate sobre políticas de incentivo.

Já um veículo movido exclusivamente a etanol mantém a demanda pelo combustível e os tributos ligados ao abastecimento. A observação se refere à arrecadação sobre combustíveis, sem representar uma comparação completa dos impostos envolvidos em cada tecnologia.

Para o motorista, contudo, Cardoso avalia que a decisão continuará passando pelo impacto da escolha no orçamento.

Evolua: ‘Retrocesso é 100% combustível fóssil’

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Alexandre Zebulun, diretor comercial da Evolua Etanol, reconheceu que veículos com diferentes possibilidades de abastecimento e recarga estão associados à ideia de modernidade. Ainda assim, defendeu a oferta de modelos exclusivos a etanol como uma oportunidade de ampliar o mercado do biocombustível.

“Retrocesso é 100% combustível fóssil, na minha opinião”, afirmou.

Para o executivo, colocar no mercado um veículo que estimule as vendas de etanol é uma iniciativa favorável ao setor.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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