Casa simulada, fonte da CIA e Forças Especiais: a operação dos EUA para capturar Maduro
Às 4h21 da manhã deste sábado (3), o presidente Donald Trump enviou uma mensagem em sua plataforma Truth Social: os Estados Unidos haviam realizado uma missão ousada para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa Cilia Flores.
A ação foi uma surpresa, mas, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto, o planejamento de uma das operações mais complexas dos EUA na memória recente estava em andamento há meses e incluía ensaios detalhados.
As tropas de elite dos EUA, incluindo a Força Delta do Exército, criaram uma réplica exata do esconderijo de Maduro e praticaram como entrariam na residência fortemente fortificada.
A CIA tinha uma pequena equipe no local a partir de agosto, que foi capaz de fornecer informações sobre o padrão de vida de Maduro que tornaram a captura dele perfeita, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.
Duas outras fontes disseram à Reuters que a agência de inteligência também tinha um ativo próximo a Maduro que monitorava seus movimentos e estava pronto para identificar sua localização exata à medida que a operação se desenrolava.
Operação dos EUA na Venezuela
Com as peças no lugar, Trump aprovou a operação há quatro dias, mas os planejadores militares e de inteligência sugeriram que ele esperasse por um clima melhor e menos nuvens.
Às 22h46 (horário de Washington) de sexta-feira (2), Trump deu o aval final para o que seria conhecido como Operação Absolute Resolve, disse aos repórteres o presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general Dan Caine.
Trump, cercado por seus assessores no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, assistiu a uma transmissão ao vivo dos eventos.
O desenrolar da operação, que durou horas, baseia-se em entrevistas com quatro fontes familiarizadas com o assunto e em detalhes revelados pelo próprio Trump.
“Já fiz algumas operações muito boas, mas nunca vi nada parecido com isso”, disse Trump na Fox News poucas horas após a conclusão da missão.
O Pentágono supervisionou um aumento maciço de forças militares no Caribe, enviando um porta-aviões, 11 navios de guerra e mais de uma dúzia de aeronaves F-35. No total, mais de 15.000 soldados foram enviados à região para o que as autoridades norte-americanas há muito descrevem como operações antidrogas.
De acordo com uma das fontes, Stephen Miller, um assessor graduado de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o diretor da CIA, John Ratcliffe, formaram uma equipe central que trabalhou na questão durante meses com reuniões e telefonemas regulares, às vezes diários. Eles também se reuniam com frequência com o presidente.
No final da noite de sexta-feira e no início do sábado, Trump e seus assessores se reuniram enquanto várias aeronaves dos EUA decolavam e realizavam ataques contra alvos dentro e perto de Caracas, incluindo sistemas de defesa aérea, de acordo com um oficial militar dos EUA.
Caine disse que a operação envolveu mais de 150 aeronaves lançadas de 20 bases no Hemisfério Ocidental, incluindo jatos F-35 e F-22 e bombardeiros B-1.
“Tínhamos um jato de combate para cada situação possível”, disse Trump ao programa “Fox & Friends”, do canal Fox News.
Fontes disseram à Reuters que o Pentágono também havia se deslocado discretamente para a região, reabastecendo aviões-tanque, drones e aeronaves especializadas em interferência eletrônica.
Autoridades dos EUA disseram que os ataques aéreos atingiram alvos militares. Imagens feitas pela Reuters na base aérea de La Carlota, em Caracas, mostraram veículos militares carbonizados de uma unidade antiaérea venezuelana.
Com os ataques em andamento, as Forças Especiais dos EUA entraram em Caracas fortemente armadas, inclusive com um maçarico para o caso de terem que cortar as portas de aço da casa de Maduro.
Por volta da 1h (horário de Washington) de sábado, disse Caine, as tropas chegaram ao complexo de Maduro no centro de Caracas e foram atacadas a tiros. Um dos helicópteros foi atingido, mas ainda conseguiu voar.
Vídeos de mídia social postados por moradores mostraram um comboio de helicópteros sobrevoando a cidade em baixa altitude.
Quando chegaram ao esconderijo de Maduro, as tropas, juntamente com agentes do FBI, entraram na residência, que Trump descreveu como uma “fortaleza altamente protegida”.
“Eles simplesmente entraram e arrombaram lugares que não podiam ser arrombados, como portas de aço que foram colocadas lá exatamente por esse motivo”, disse Trump. “Eles foram levados para fora em questão de segundos.”
Maduro sob custódia
Quando as tropas estavam dentro do esconderijo, disse Caine, Maduro e sua esposa se renderam. Trump disse que o líder venezuelano havia tentado chegar a uma sala segura, mas não conseguiu fechar a porta.
“Ele foi atropelado tão rapidamente que não conseguiu entrar”, disse Trump.
Alguns membros das forças dos EUA foram atingidos, disse Trump, mas nenhum foi morto.
À medida que a operação se desenrolava, Rubio começou a informar aos parlamentares que ela estava em andamento. As notificações só começaram após o início da operação e não antes, como é de praxe para os principais parlamentares que desempenham um papel de supervisão, disseram as autoridades à Reuters.
Quando as tropas deixaram o território venezuelano, disse Caine, elas se envolveram em “vários engajamentos de autodefesa”. Às 3h20 (horário de Washington), os helicópteros estavam sobre a água, com Maduro e sua esposa a bordo.
Quase exatamente sete horas depois que Trump anunciou a operação no Truth Social, ele fez outra postagem.
Dessa vez, era uma foto do líder venezuelano capturado com os olhos vendados, algemado e vestindo uma calça de moletom cinza.
“Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima”, escreveu Trump, referindo-se ao navio de assalto anfíbio.