Caso Master pode ter efeito pontual e ocorre em momento irrelevante para campanha eleitoral, diz cientista político
O impacto negativo na pré-campanha a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL) pelo seu envolvimento do Daniel Vorcaro, do Banco Master, pode ser pontual e ocorre em um momento irrelevante na corrida eleitoral. A avaliação é de Luciano Dias, cientista político da CAC Consultoria, foi feita durante evento da Monte Bravo, em São Paulo (SP).
“O Caso Master deve ter efeito de pura notícia, o que devolveria a eleição ao padrão original que é o de uma eleição competitiva”, disse ele. Para Dias, as pesquisas eleitorais começam a se consolidar historicamente só a partir de julho, quando os candidato começam a ser definidos e conhecidos pelo público.
“Não adianta estressar em junho e julho. A pesquisa espontânea, por exemplo, começa com 50% de indecisos e chega a 9% no dia da eleição. Ciclo de notícias que vai afetar a eleição vai ocorrer lá na frente”, afirmou.
Segundo o cientista político, alguns grupos são decisivos para Flávio Bolsonaro e para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha eleitoral. E parte desses nichos mostra, ao menos até o momento, que não houve impacto da ligação do senador com Vorcaro. Em tom de ironia, Dias avaliou que o dono do Master, “manteve uma Lei Rounet” para financiar o filme “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Com cerca de 26% do eleitorado, os evangélicos dão vantagem folgada de 30 pontos porcentuais a Flávio nas pesquisas dentro do grupo, assim como o eleitorado nordestino, com 27% de participação, para o presidente Lula, candidato à reeleição. A queda de Flávio nas pesquisas ocorreu, segundo ele, no eleitorado do Sudeste e entre os mais jovens, na faixa de 16 a 24 anos, onde a vantagem do senador para Lula diminuiu.
Além do risco de o Caso Master ser esquecido pelo eleitor, a campanha de Lula à reeleição tem outro problema para ser bem sucedida: o voto no Nordeste, segundo Dias. “A esquerda precisa fazer 70% a 30% no Nordeste. Se forem os 55% atuais que aparecem nas pesquisas, Lula não tem como vencer a eleição”, afirmou.
Outro ponto relevante, de acordo com o cientista político, é a avaliação do governo do presidente Lula, que segue abaixo de 40% de ótimo e bom somados. “Um candidato favorito precisa de 42% ótimo e bom e um muito competitivo precisa de 40%, mas o governo segue variando de 35% a 36%, o que é outro risco”, concluiu Dias