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Castrolanda quer crescer 5% em 2026, aposta em ‘cozinha industrial’ para bovinos e foge de modelo tradicional nos laticínios

02 jul 2026, 7:00 - atualizado em 01 jul 2026, 16:58
castrolanda cooperativa
(Foto: Divulgação)

A Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, que completa 75 anos em 2026, segue com seu plano estratégico de crescimento sustentável.

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Fundada em 1951 em Castro (PR) por imigrantes holandeses, a cooperativa é uma das principais do Sul do Brasil, reunindo cerca de 1.300 cooperados e forte atuação nos segmentos de leite, grãos, carnes e batata.

No ano passado, a cooperativa faturou R$ 6,2 bilhões. Para este ano, a expectativa é alcançar R$ 6,5 bilhões, um crescimento de 4,84%, embora abaixo da projeção inicial de R$ 6,9 bilhões divulgada no início de 2026.

A revisão das estimativas reflete um cenário mais desafiador para o agronegócio, marcado pela pressão sobre os preços das commodities agrícolas e pelo aumento dos custos com insumos e fertilizantes.

Embora tenha sede em Castro, a Castrolanda atua em diversos municípios vizinhos, como Ponta Grossa, Piraí do Sul e Ventania. A cooperativa também está presente no sul do estado de São Paulo, nas cidades de Itaberá, Itararé e Itapetininga, onde mantém uma unidade voltada à atividade leiteira.

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Mais recentemente, a cooperativa desembarcou em Colinas do Tocantins, com foco na comercialização de insumos para produtores de grãos, além de oferecer estruturas de armazenagem e secagem da produção.

Castrolanda acelera investimentos de R$ 500 milhões

Após passar por um processo de reorganização interna entre 2024 e 2025, a cooperativa entrou em uma nova fase focada na expansão. Ao todo, serão investidos R$ 500 milhões em três projetos, todos localizados em Castro (PR).

O principal investimento será a construção de uma nova torre de secagem para a indústria de leite, um projeto de grande porte cuja conclusão está prevista para ocorrer em um prazo de três a quatro anos.

O segundo projeto prevê a construção de uma fábrica de tortilhas. Toda a produção será destinada a um cliente distribuidor responsável pela comercialização dos produtos.

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Já o terceiro investimento chama atenção pelo conceito inovador: trata-se da construção de uma Unidade de Dietas Bovinas (UDB), definida pelo diretor-presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, como uma “grande cozinha industrial” voltada à preparação de dietas prontas para bovinos.

“Nós compramos todos os ingredientes para alimentação dos animais, como soja, casca de soja, casca de citros e caroço de algodão. A mistura balanceada será preparada industrialmente e entregue aos cooperados, que precisarão apenas adicionar silagem na propriedade antes de fornecer a alimentação aos animais”, disse, ao Money Times.

Segundo Bouwman, o objetivo é facilitar a rotina dos produtores, eliminando a necessidade de formular e estruturar as dietas nas propriedades.

“Fazemos isso de forma mais profissional e industrial, reduzindo desperdícios e aumentando a qualidade da alimentação”, afirma.

Um modelo diferente para o setor de lácteos

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A Castrolanda, juntamente com as cooperativas Frísia e Capal, integra a intercooperação Unium. Por meio dessa parceria, as três cooperativas formam o segundo maior captador de leite do Brasil.

“Nós produzimos juntos cerca de 3 milhões de litros de leite por dia, um volume gigantesco que industrializamos.”

Segundo o presidente da Castrolanda, o setor apresenta oscilações naturais de preços ao longo do ano, mas costuma operar com margens relativamente estáveis, entre 15% e 20%.

“O produtor de leite está em um período complicado porque estamos saindo da safra e entrando no inverno, o que reduz a produção e melhora um pouco os preços. Também temos a questão do leite em pó importado, que concorre de maneira indireta com o nosso produto.”

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Na avaliação de Bouwman, o segmento de laticínios enfrenta desafios relevantes. Ainda assim, a estratégia da Castrolanda difere da adotada por boa parte das empresas do setor.

“Grupos como Frimesa, Aurora, Piracanjuba, Italac e Lactalis trabalham no modelo B2C, levando seus produtos diretamente às prateleiras dos supermercados. Nós produzimos e industrializamos, mas a maior parte do nosso leite é comercializada acompanhada de uma prestação de serviço para grandes empresas.”

Dessa forma, a Unium concentra sua atuação na industrialização e na prestação de serviços para grandes companhias do setor.

Nesse modelo, o leite é entregue já processado e envasado em embalagens UHT para clientes que comercializam o produto com suas próprias marcas. Apenas uma pequena parcela da produção é vendida diretamente pela cooperativa.

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“O mercado de lácteos é desafiador, e o segmento de leite UHT é ainda mais competitivo. Quando falamos de produtos de maior valor agregado, como queijos e iogurtes, que oferecem margens um pouco melhores, também enfrentamos preços apertados por causa da inflação e da perda do poder de compra da população. O mercado realmente atravessa um momento bastante delicado.”

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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