CEO do JPMorgan alerta para impacto da guerra do Irã na inflação e juros
O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, alertou nesta segunda-feira (6) que a guerra no Irã representa um risco de choques nos preços do petróleo e de commodities, o que pode manter a inflação elevada e levar as taxas de juros acima das expectativas do mercado.
O comentário consta da carta anual aos acionistas, publicada um dia após o presidente Donald Trump intensificar a pressão sobre o Irã, ameaçando atacar suas usinas de energia e pontes na terça-feira (7) caso o país não reabra o Estreito de Ormuz.
Dimon, de 70 anos, que dirige o JPMorgan há duas décadas, afirmou também que o setor de crédito privado “provavelmente” não representa risco sistêmico, apesar das recentes movimentações de investidores para se afastarem desses fundos diante de preocupações de que avanços em inteligência artificial possam prejudicar os tomadores de empréstimos.
“Os desafios que enfrentamos são significativos”, disse Dimon, citando riscos geopolíticos como a guerra na Ucrânia, tensões mais amplas no Oriente Médio e disputas com a China.
“Agora, devido à guerra no Irã, enfrentamos o potencial de choques contínuos nos preços do petróleo e das commodities, junto com a reestruturação das cadeias globais de suprimentos, o que pode resultar em inflação mais persistente e, em última análise, em taxas de juros superiores às expectativas do mercado.”
Dimon destacou que só o tempo dirá se os objetivos dos EUA na região serão alcançados e reforçou que a proliferação nuclear segue sendo o maior risco representado pelo Irã.
A preocupação com a inflação provocada pela guerra já fez com que os mercados praticamente descartassem cortes de juros nos EUA este ano, após a flexibilização monetária ter impulsionado as ações a máximas históricas em 2025. Na semana passada, o S&P 500 encerrou seu pior trimestre desde 2022, pressionado pela guerra e pelo aumento nos preços da energia.
Dimon afirmou que a economia americana segue resiliente, com consumidores mantendo gastos e ganhos, e empresas saudáveis, embora com alguma fragilidade recente. Ele ressaltou que o crescimento tem sido sustentado por elevados gastos do governo e estímulos anteriores, e que investimentos em infraestrutura permanecem uma necessidade crescente.
O CEO também apontou fatores positivos para a economia, como o estímulo fiscal do “Grande e Belo Projeto de Lei” do presidente Trump, políticas de desregulamentação e investimentos de capital impulsionados pela inteligência artificial.
Crédito privado não representa risco sistêmico
Dimon avaliou que o mercado de crédito privado, de US$1,8 trilhão, é relativamente pequeno. Porém, alertou que, em um ciclo de crédito mais fraco, perdas em empréstimos alavancados podem ser maiores que o esperado, já que os padrões de crédito têm se deteriorado modestamente em vários setores.
O crédito privado também carece de transparência e de critérios rigorosos de avaliação, aumentando a probabilidade de resgates em caso de piora do cenário. Na semana passada, a Blue Owl limitou saques de dois fundos após um recorde de pedidos de resgate no primeiro trimestre, motivados por preocupações relacionadas à inteligência artificial.
Dimon aproveitou a carta para criticar as regras de capital revisadas propostas pelos reguladores bancários dos EUA, classificando alguns pontos como “absurdos”. Segundo ele, a sobretaxa para bancos sistemicamente importantes globais (GSIB) ainda penaliza o sucesso do JPMorgan, permanecendo em 5%, número que considerou “absurdo” e “antiamericano”.