Cinco coisas que você precisa saber sobre Kevin Warsh, escolhido por Trump para comandar o Fed
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) que indicará o ex-diretor do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, para retornar ao Banco Central como presidente do Fed em maio, enquanto o presidente continua sua campanha pela redução das taxas de juros nos EUA.
Aqui estão cinco coisas importantes para saber sobre Warsh:
1 – Mais jovem diretor do Fed de todos os tempos, testado na crise
Warsh, 55 anos, ingressou na Diretoria do Fed em 2006, aos 35 anos, como seu membro mais jovem, após atuar no Conselho Econômico Nacional do ex-presidente George W. Bush.
Ele permaneceu no Fed até 2011, desempenhando um papel fundamental durante a crise financeira global de 2008-2009, ajudando o então chair Ben Bernanke a arquitetar resgates de instituições financeiras em dificuldades e apoios ao mercado financeiro. Com suas conexões em Wall Street, ele ganhou a reputação de “sussurrador” do mercado financeiro do Fed.
Warsh alertou repetidamente que os resgates do governo aumentariam a inflação, uma ameaça que não se concretizou. Na verdade, economistas afirmaram posteriormente que gastos maiores com estímulos fiscais após a crise poderiam ter impulsionado uma recuperação mais forte e mais rápida.
Trump, sempre preocupado com a imagem de seus funcionários, especialmente na TV, chamou Warsh nesta sexta-feira de “escolha perfeita” para presidente do Fed.
2 – Casado com uma herdeira de um marca de beleza
A esposa de Warsh é a herdeira da marca de cosméticos Jane Lauder, cujo patrimônio líquido é estimado em US$ 2,7 bilhões pela Forbes.
Anteriormente, ela ocupou vários cargos de gestão na empresa familiar fundada por sua avó, Estee Lauder, administrando a marca Clinique da empresa, mas deixou o cargo de vice-presidente-executiva em 2024.
Jane Lauder e Warsh investem tempo e dinheiro para melhorar o bem-estar e a longevidade dos animais de estimação.
Em outubro, a empresa de investimentos de Lauder, TAW Ventures — batizada em homenagem ao seu cão goldendoodle, Thaddeus Alistair Warsh — liderou uma rodada de financiamento de 2,5 milhões de libras (US$ 3,4 milhões) para a marca britânica de ração fresca para cães Marleybones, que oferece refeições com nomes como Boss Beef, Chic Chicken, Lush Lamb e Sassy Salmon.
3 – Warsh é cercado de bilionários
Warsh, formado pela Universidade de Stanford e pela Faculdade de Direito de Harvard, começou sua carreira na década de 1990 trabalhando com fusões e aquisições no Morgan Stanley. Depois de deixar o Fed em 2011, ele ingressou na conservadora Hoover Institution da Universidade de Stanford e lecionou na Stanford Graduate School of Business.
Na mesma época, ele também começou a trabalhar para o bilionário Stanley Druckenmiller como sócio no Duquesne Family Office, ajudando a administrar sua fortuna estimada em US$ 11 bilhões.
Na década de 1990, Druckenmiller trabalhou ao lado de Scott Bessent, agora secretário do Tesouro dos Estados Unidos, para obter um lucro de mais de US$ 1 bilhão para o investidor George Soros, apostando contra a libra esterlina.
O sogro de Warsh, o bilionário Ron Lauder, é um ex-colega de classe e apoiador de longa data de Trump, que supostamente faz parte de um grupo de investidores ligado aos EUA que obteve apoio para desenvolver os depósitos de lítio da Ucrânia. Ele também tem interesses na Groenlândia.
O ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton, disse que foi Lauder quem primeiro despertou o interesse de Trump pela Groenlândia, uma iniciativa para o controle dos EUA que criou grandes tensões com a Europa nas últimas semanas.
4 – Hawk ou Dove? A resposta é um pouco dos dois
Warsh concordou publicamente com Trump que o Fed deveria reduzir drasticamente as taxas de juros, argumentando que os ganhos de produtividade, particularmente de IA, ajudarão a manter os preços sob controle e que o banco central não precisa fazer uma “escolha cruel” de sacrificar o mercado de trabalho para reduzir a inflação.
Mas durante seu mandato de cinco anos como diretor do Fed, Warsh ganhou reputação como um hawkish da inflação e crítico das grandes carteiras de títulos do Fed, usadas para ajudar a reduzir as taxas de juros hipotecárias e outras taxas de juros de longo prazo, como uma ferramenta permanente da política monetária.
O Fed, após dois anos reduzindo suas carteiras de títulos, começou a aumentá-las novamente, e não está claro se ele pressionaria para interromper esse processo.
5 – Fed independente, mas com reforma
Warsh há muito critica o Fed por ultrapassar seus dois mandatos, de estabilidade de preços e pleno emprego, o que tem comprometido sua alegação de independência.
Em abril do ano passado, ele criticou a dependência do Fed de dados retrospectivos para orientar as decisões de política monetária e disse que vê pouca utilidade na orientação futura sobre as taxas que se tornou parte integrante da política de comunicação do Fed desde a crise financeira.
Em maio do mês ano, com o aumento das especulações sobre sua posição de favorito, Warsh disse que a expansão do balanço do Fed estava em desacordo com a principal ferramenta de política monetária do Fed, acrescentando: “Se a impressora pudesse ficar quieta, poderíamos ter taxas de juros mais baixas”.