Comprar ou vender?

Citi vê cenário ‘mais difícil’ para construtoras e corta preços-alvo; entenda por que

12 jun 2026, 14:35 - atualizado em 12 jun 2026, 14:38
construtoras construção civil (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto)
Citi vê cenário 'mais difícil' para incorporadoras e corta preços-alvo; entenda o porquê (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto/Montagem Money Times)

O Citi cortou os preços-alvo para as ações de Cyrela e Eztec, destacando, em relatório, que o cenário para as incorporadoras de média e alta renda ficou mais desafiador devido ao excesso de estoque e aos juros elevados.

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Apesar da revisão, o banco norte-americano manteve recomendação de compra para os papéis CYRE3, enquanto reiterou a classificação neutra para EZTC3.

A principal preocupação dos analistas é o excesso de oferta no mercado paulistano: a casa destacou que os lançamentos vêm superando as vendas desde 2025, especialmente nos empreendimentos de maior valor.

O Citi apontou que, em abril de 2026, os imóveis de três quartos acumulavam 18,5 meses de estoque, enquanto os de quatro dormitórios somavam 26 meses, patamares acima das médias históricas.

Juros elevados seguem pressionando demanda

Além do aumento da oferta, o banco avalia que a acessibilidade continua sendo um desafio estrutural para o segmento de média e alta renda. De acordo com o relatório, os preços elevados dos apartamentos e o custo do financiamento limitam o universo de compradores.

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A casa ressalta que, mesmo em um cenário de queda da Selic, o que não está no radar, o repasse para as taxas de crédito imobiliário tende a ocorrer de forma gradual.

O relatório cita um estudo do Banco Central (BC) segundo o qual apenas 43% de uma alteração de 100 pontos-base na Selic é transmitida aos juros do financiamento imobiliário após um ano.

“Isso sugere que qualquer afrouxamento monetário proporcionará uma melhora mais lenta na acessibilidade, limitando a demanda de curto prazo por unidades de maior valor”, explicou o Citi.

Cyrela segue como a preferida

No caso da Cyrela, banco reduziu o preço-alvo da ação de R$ 35 para R$ 32, o que ainda representa um potencial de valorização de aproximadamente 49,6% sobre a cotação atual, de R$ 21,39.

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Apesar da revisão, os analistas afirmaram que a companhia continua melhor posicionada que seus pares graças à escala operacional, à força da marca e à diversificação de produtos, incluindo a atuação no segmento de baixa renda por meio da subsidiária Vivaz.

O Citi apontou, porém, que a incorporadora também vem sentindo a desaceleração do mercado. Desde 2025, a velocidade de vendas dos empreendimentos de média e alta renda tem perdido força, refletindo a menor absorção dos imóveis de maior ticket.



Eztec (EZTC3)

Já para a Eztec, o banco norte-americano cortou o preço-alvo para R$ 15, contra R$ 17 anteriormente, o que implica um potencial de alta de cerca de 10,9% em relação à cotação, de R$ 13,53.

De acordo com a casa, a companhia está mais exposta aos desafios enfrentados pelo segmento de média e alta renda em São Paulo já que, embora os lançamentos recentes tenham apresentado desempenho melhor que o esperado e devam sustentar a receita no curto prazo, há uma visão mais conservadora para as margens futuras.

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Além disso, na avaliação do Citi, o aumento da concorrência e o excesso de estoque podem levar as incorporadoras a oferecer mais descontos e incentivos comerciais para acelerar as vendas, pressionando a rentabilidade do setor nos próximos trimestres.



Confira as recomendações do Citi:

Empresa (Ticker)RecomendaçãoPreço atualPreço-alvoPotencial de alta
Cyrela (CYRE3)CompraR$ 21,39R$ 32,0049,6%
Eztec (EZTC3)NeutraR$ 13,53R$ 15,0010,9%

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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