Cobre não faz milagre: Goldman corta preço-alvo da Vale e contraria otimismo de BTG e Itaú BBA
O Goldman Sachs reafirmou recomendação neutra para as ADRs da Vale (VALE), mas reduziu o preço-alvo de 12 meses de US$ 16 para US$ 15 por ação, após revisar suas projeções para a mineradora. Apesar de avaliar positivamente os avanços recentes dos projetos de cobre da Vale Base Metals, o banco acredita que eles ainda não são suficientes para compensar a pressão provocada pela queda esperada dos preços do minério de ferro.
A avaliação contrasta com as do BTG Pactual e Itaú BBA, que reforçaram suas recomendações positivas para a mineradora, destacando o potencial de valorização das ações, a disciplina na alocação de capital e o avanço dos projetos de cobre.
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Segundo o relatório do Goldman, a companhia trouxe atualizações consideradas encorajadoras para dois projetos estratégicos de cobre. O projeto Bacaba deve iniciar operações cerca de seis meses antes do previsto, enquanto o projeto CPF (Coarse Particle Flotation) da mina de Salobo recebeu aprovação antes das expectativas do mercado.
Juntos, os empreendimentos podem adicionar entre 45 mil e 65 mil toneladas por ano de produção de cobre e representam um passo importante para que a Vale alcance a meta de elevar sua produção do metal para 700 mil toneladas anuais até 2035, ante cerca de 380 mil toneladas estimadas para 2025.
Mesmo incorporando esses projetos aos modelos da companhia, os analistas afirmam que o impacto positivo não é suficiente para neutralizar o cenário mais desafiador para o minério de ferro e os custos totais mais elevados. Com isso, o Goldman Sachs reduziu suas estimativas de Ebitda da Vale entre 4% e 8% para o período de 2026 a 2028.
A revisão reflete principalmente uma expectativa mais conservadora para os preços do minério de ferro. O banco passou a trabalhar com cotações médias de US$ 94 por tonelada em 2027 e US$ 92 por tonelada em 2028, abaixo das projeções anteriores, de US$ 99 e US$ 96 por tonelada, respectivamente. Parte desse impacto é compensada por perspectivas mais favoráveis para os preços do níquel e por custos menores na operação de cobre, impulsionados por receitas maiores com subprodutos.
O Goldman lembra que recentemente rebaixou a Vale para recomendação neutra, argumentando que os preços das principais commodities da empresa tendem a permanecer estáveis ou em queda nos próximos anos.
Além disso, na avaliação dos analistas, a companhia já apresentou avanços operacionais relevantes, o que limita o potencial de novas surpresas positivas diante dos desafios macroeconômicos. O crescimento da produção de cobre, por sua vez, é visto como um vetor importante, mas de longo prazo.
A equipe também avalia que a ação passou por uma reprecificação que reduziu sua atratividade relativa. A Vale negocia atualmente com rendimento de fluxo de caixa livre em torno de 5% e múltiplos de valor da firma sobre Ebitda entre 5,2 vezes e 5,3 vezes para 2027 e 2028. Os pares australianos, por outro lado, são negociados entre 5,9 vezes e 6,4 vezes EV/Ebitda.
Entre os fatores que poderiam impulsionar as ações, o banco destaca uma eventual recuperação da demanda chinesa por aço, seja por meio do setor imobiliário ou de investimentos em infraestrutura, além de possíveis interrupções na oferta global de minério de ferro.
No segmento de metais básicos, um avanço mais acelerado da eletrificação e dos investimentos em redes de energia, impulsionados pelo crescimento da inteligência artificial, também poderia elevar os preços do cobre e beneficiar os resultados da Vale Base Metals. Um dólar mais forte frente ao real é outro fator positivo para a rentabilidade da companhia.
Por outro lado, os riscos de baixa incluem uma desaceleração econômica mais intensa na China, que poderia pressionar ainda mais os preços do minério de ferro, além da valorização do real frente ao dólar.
O Goldman também aponta a possibilidade de enfraquecimento das condições de oferta e demanda para cobre e níquel, novos desdobramentos legais relacionados à Samarco e eventuais frustrações operacionais tanto no minério de ferro quanto nos metais básicos.