JBS (JBSS32) ou MBRF (MBRF3)? Itaú BBA escolhe favorita para enfrentar cenário mais desafiador
A JBS (JBSS32) segue como a ação preferida do Itaú BBA no setor de alimentos e bebidas em um cenário de maior incerteza para as margens dos frigoríficos. Para o banco, a diversificação da companhia e a perspectiva de recuperação da carne bovina nos Estados Unidos ajudam a enfrentar uma possível perda de rentabilidade do frango.
A instituição mantém recomendação de compra para JBS, com preço-alvo de US$ 18 ao fim de 2027, e avalia que o preço atual da ação já incorpora um ambiente mais desafiador. Para MBRF (MBRF3), a indicação permanece neutra, com alvo de R$ 23 para o mesmo período.
Após um primeiro semestre de 2026 relativamente tranquilo, o interesse dos investidores pelo setor de proteínas voltou a crescer, acompanhado de mais discussões sobre os resultados das empresas.
Segundo o BBA, a rentabilidade do frango no Brasil continua acima dos níveis considerados sustentáveis no longo prazo. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda por grãos, a redução dos estoques em relação ao consumo e uma possível alta de preços associada ao El Niño trazem riscos adicionais aos custos de ração.
Por que a JBS segue na frente?
Na carne bovina dos Estados Unidos, o banco enxerga uma trajetória mais favorável. A avaliação considera a oferta adicional de gado mexicano após a reabertura da fronteira, a redução da capacidade de processamento da indústria e a demanda doméstica resiliente.
Para a operação americana de carne bovina da JBS, o BBA projeta uma melhora anual de aproximadamente 1,5 ponto percentual na margem Ebitda em 2027, levando o negócio ao ponto de equilíbrio.
Já no frango, estima margens Ebitda de 12,5% para a Seara e de 7,8% para a Pilgrim’s Pride (PPC), ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.
Mesmo com projeções para a JBS um pouco inferiores ao consenso, o banco vê na diversificação um diferencial. Pelo peso da carne bovina americana nos negócios da companhia, uma recuperação moderada das margens pode ter impacto significativo no Ebitda consolidado.
O que falta para a MBRF ganhar espaço?
A MBRF pode se tornar uma alternativa interessante quando houver mais clareza sobre o equilíbrio entre a recuperação da carne bovina nos EUA e a rentabilidade do frango, avalia o BBA.
Por enquanto, a companhia apresenta maior sensibilidade ao desempenho das aves, devido à participação mais elevada desse negócio na receita. A exposição à carne bovina americana, por meio da National Beef, ajuda os resultados, mas tem menor peso relativo.
Para 2027, o banco projeta margens Ebitda de 14% para a BRF e de 2% para a National Beef. As duas estimativas ficam ligeiramente acima do consenso, indicando espaço para resultados superiores às expectativas atuais do mercado.
Ainda assim, a MBRF permanece mais dependente da manutenção da diferença entre os preços de venda do frango e seus custos, especialmente os de ração.
O principal risco de curto prazo para o setor está no ritmo de cada ciclo: as margens do frango podem piorar antes que a recuperação da carne bovina nos Estados Unidos ganhe força suficiente para compensar essa pressão, alerta o Itaú BBA.