Mercados

Investidor corre e turbina aposta em opções de EWZ na reta final das eleições; preço e contratos em aberto disparam

02 out 2026, 17:25 - atualizado em 02 out 2026, 17:33
Brasil economia
Montagem com um fundo de gráfico de ações e a bandeira do Brasil

Os investidores locais e estrangeiros turbinaram as apostas no mercado brasileiro na reta final do primeiro turno das eleições. As opções do EWZ — uma espécie de “Ibovespa em dólar” — ficaram mais caras nas últimas semanas, enquanto o número de contratos em aberto disparou.

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O movimento ganhou força a partir de setembro, quando as principais pesquisas eleitorais passaram a mostrar uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na prática, as opções são uma forma mais barata de tentar capturar uma eventual alta dos ativos brasileiros no período eleitoral. Mas, com o aumento da procura, os investidores estão aceitando pagar mais.

O que está por trás da alta no preço das opções?

As opções do EWZ são contratos negociados no mercado de derivativos que permitem ao investidor se posicionar sobre o desempenho do ETF, sem precisar comprar diretamente o ativo.

Quem compra uma opção paga para ter o direito de comprar um ativo a um determinado preço e em uma data determinada. Caso a cotação do EWZ esteja acima daquela definida pela opção na data de vencimento, o investidor ganha a diferença. Em caso contrário, ele perde o valor pago pela opção.

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Esse tipo de operação também pode ser uma alternativa para se expor ao Brasil com menos capital do que seria necessário em uma operação equivalente no mercado à vista.

Um dos principais indicadores para entender o preço dessas opções é a chamada volatilidade implícita. Em termos simples, ela funciona como uma espécie de “preço do risco” embutido no contrato.

Quanto maior a incerteza sobre o comportamento do ativo, maior tende a ser esse preço.

“Dá para pensar na seguinte analogia: a volatilidade implícita funciona como um seguro. Quanto maior for a volatilidade implícita — ou seja, a expectativa de uma grande alta ou queda por causa de um cenário de incerteza —, mais caro estará esse seguro. Quando ela está mais baixa e a conjuntura não aponta para uma mudança, significa que esse seguro está mais barato”, explica Gustavo Akamine, sócio da Constância Investimentos.

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Segundo ele, o aumento da volatilidade implícita das opções do EWZ ganhou força justamente com a busca dos investidores estrangeiros por capturar o possível rali provocado pelas eleições brasileiras.

“É como se o investidor estivesse pagando mais para ter exposição a uma possível movimentação forte do mercado”, explica.

De acordo com os dados compilados por Akamine, o valor das opções do EWZ é o mais alto desde as eleições de 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez e venceu o segundo turno contra Fernando Henrique Cardoso (FHC).

EleiçãoPré-1º turnoEntre turnosPós-2º turno
200266,0483,1069,07
200630,9023,5421,22
201013,0321,7222,01
201438,2958,9059,65
201833,4047,0244,54
202245,3848,9352,29
Média37,8447,2044,80

Volatilidade histórica de 10 dias do EWZ US. Pré 1º turno: últimos 10 pregões antes do 1º turno. Entre turnos: todos os pregões entre 1º e 2º turno. Pós 2º turno: 10 primeiros pregões após o 2º turno. A linha de média é a média simples das seis eleições.

Opções para outubro e novembro ficam mais caras

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Para se posicionar diante do cenário eleitoral, os investidores estrangeiros estão concentrando as operações em contratos com vencimentos próximos, geralmente de um a dois meses.

No caso da opção do EWZ com vencimento em 16 de outubro, que captura o período até o primeiro turno, a volatilidade implícita está em cerca de 56%.

Já a opção com vencimento em 20 de novembro, depois dos dois turnos, apresenta volatilidade de 51%.

Uma semana antes, esses números eram de 46% e 45%, respectivamente.

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O movimento também aparece no contrato mais líquido das opções do EWZ. Segundo Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, a volatilidade implícita desse contrato, com vencimento no fim de outubro, está atualmente em 59%.

Para efeito de comparação, a média da volatilidade histórica, segundo dados levantados pelo economista, é de aproximadamente 23%. Ou seja: o preço das opções subiu bastante com o aumento da incerteza em torno das eleições.

Mas há um detalhe importante: isso não significa necessariamente que o mercado esteja apostando em uma alta ou em uma queda.

“Existe um erro comum de interpretação ao olhar para a volatilidade implícita das opções do EWZ. O contrato de derivativo precifica um cenário otimista ou pessimista, mas, na verdade, ele precifica a incerteza”, afirma Saadia.

Número de contratos dispara

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O aumento da procura também aparece no chamado open interest, ou contratos em aberto.

Segundo Ruy Hungria, analista de ações da Empiricus Research, o número de contratos em aberto das opções do EWZ com vencimento em 16 de outubro saltou de 7 mil, em 18 de agosto, para 164 mil atualmente.

No contrato com vencimento em 20 de novembro, o salto foi ainda maior: de 10 mil para 299 mil contratos na véspera. Após o fechamento de posições ontem, porém, o número caiu para 186 mil contratos.

Para Hungria, mais importante do que o número absoluto é a velocidade com que esse estoque cresce.

Mas isso significa que o EWZ vai subir?

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Essa é a aposta do investidor que compra as opções. Mas o aumento da negociação e dos preços das opções não significa, por si só, que o mesmo movimento vá aparecer no mercado à vista.

Akamine, da Constância, destaca que o comportamento observado nas opções do EWZ não necessariamente se repete no próprio ETF ou no Ibovespa.

Saadia, da Nomos, segue a mesma linha. Para ele, não é possível usar o volume financeiro negociado nas opções do EWZ como um indicador confiável do que vai acontecer com o ETF.

Isso acontece porque as opções permitem diferentes estratégias. Um investidor pode, por exemplo, comprar uma call — opção que dá o direito de comprar o ativo por determinado preço — apostando em uma alta. Outro pode usar derivativos para se proteger de uma queda.

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Além disso, como as opções exigem menos capital para montar uma posição, elas permitem que o investidor se exponha a uma movimentação do mercado sem necessariamente desembolsar o mesmo valor que gastaria comprando o ativo diretamente.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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