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Com acordo para recuperação extrajudicial encaminhado, incertezas sobre ‘Raízen 2.0’ alertam acionistas e fornecedores

05 jun 2026, 15:58 - atualizado em 05 jun 2026, 16:49
Operações da Raízen após recuperação geram dúvidas a acionistas e ao mercado (Divulgação/Raízen)

A Raízen (RAIZ4) caminha a passos firmes para finalizar o acordo de recuperação extrajudicial com credores e deve encaminhar à Justiça o documento com os termos finais até segunda-feira (8) na tentativa de renegociar a dívida que supera R$ 55 bilhões. Com o acordo bem encaminhado, a expectativa agora é como será o desenho da “Raízen 2.0”, no caso da divisão da companhia e qual o tamanho dos dois braços de operação – combustíveis e energia – após a reestruturação financeira.

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O Money Times ouviu, nesta sexta-feira (5), acionistas minoritários, produtores e agentes de mercado e o clima é de incerteza, principalmente em relação ao tamanho da Raízen Energia, que controla 24 usinas de processamento de cana-de-açúcar e produção de açúcar, etanol e bionergia. A companhia chegou a ter 35 usinas, mas vendeu e fechou unidades em um processo de desalavancagem que superou R$ 4 bilhões somente no setor agrícola.

Segundo acionistas e agentes financeiros, as dúvidas sobre o futuro da Raízen Energia começam pelo tamanho que a companhia, que processa em torno de 70 milhões de toneladas da cana por safra, ficará após a reestruturação financeira. Outras dúvidas estão na governança da empresa e até qual será a visão que os bancos, principais credores, terão da “Raízen 2.0”.

“O plano informa que, em 2027, a Raízen vai ser dividida. A Shell vai continuar na operação de açúcar e álcool, ou só na distribuição? O que o conselho de credores vai decidir? Se o grupo vai reduzir mais 10 milhões ou 15 milhões de toneladas de cana, quais usinas ainda vão ser vendidas?”, afirmou um acionista.

Cana própria ou de fornecedores? Terra própria ou arrendada?

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Para um fornecedor de cana da Raízen, além da possível venda de mais usinas, outra incerteza é se a companhia vai priorizar a moagem de cana própria, “cujo capex é quase o dobro”, ou apostará na matéria-prima de terceiros. Outra questão é se a empresa manterá terras próprias ou optará por arrendamentos de áreas para o cultivo.

“Isso tudo influencia para fornecedores que precisam definir sobre o plantio e a renovação dos canaviais para o próximo verão. É ainda mais complicado para o que vão renovar os contratos com a companhia e não sabem nem se a usina para a qual fornece a cana será da Raízen”, afirmou um produtor.

Procurada a comentar sobre o plano de recuperação extrajudicial, a Cosan (CSAN3), que detém 44% das ações da Raízen, mesma fatia da Shell, informou que não irá se manifestar. Já a Raízen também informou, por meio de sua assessoria, que não vai comentar o assunto.

O plano e a Argentina

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A proposta da Raízen em fase final de aprovação dos credores inclui injeções de capital, reestruturação da dívida, mudanças na governança e uma reorganização societária na joint venture entre Cosan e Shell. Os termos gerais do plano incluem um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, a R$ 0,25 no fechamento da operação, além de um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto, maior acionista da Cosan.

Paralelamente, a Raízen segue com a desalavancagem da companhia por meio da venda de ativos. Nesta quinta-feira, a companhia anunciou a venda das operações de downstream na Argentina por US$ 1,42 bilhão, aproximadamente R$ 7,2 bilhões. De acordo com a companhia, os recursos líquidos obtidos com a transação serão destinados à gestão da estrutura de capital, reforçando o processo de redução do endividamento.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
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