Inflação de abril nos EUA reforça dúvidas sobre trajetória de política monetária, diz analista da Arton
A alta em abril, de 0,4%, do PCE, indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed), traz dúvidas sobre quão dura será a trajetória da política monetária do Fed, disse Raphael Vieira, diretor de investimentos da Arton Advisors, no Giro do Mercado desta quinta-feira (28).
“Quando há juros mais altos nos Estados Unidos (EUA), todos os outros mercados ficam menos atrativos no universo de renda fixa”.
O movimento afeta especialmente o Brasil, por se tratar de um país emergente e mais sensível ao fluxo de capital externo.
Segundo o analista, nos últimos seis a 12 meses há uma revisão quase que diária das expectativas para juros, com a volatilidade recente impulsionada pela mudança na presidência do Fed para Kevin Warsh ante Jerome Powell.
Para Vieira, a próxima decisão do banco central americano deve ser a manutenção das taxas, mas uma alta já passou a entrar no radar ainda que dependa de uma deterioração mais significativa da inflação.
Sobre o conflito no Oriente Médio, o convidado afirmou que seus efeitos seguem refletidos na dinâmica inflacionária. “O preço do petróleo está totalmente ligado à economia, com consumo elevado da commodity e de seus derivados nos EUA. Isso impacta diretamente o cidadão americano”.
Vieira concluiu que o petróleo mais alto no acumulado do ano já contribui para a leitura do PCE.
*Com supervisão de Kaype Abreu