Taxas de DIs sobem com retomada de temor inflacionário de olho no Oriente Médio
A curva de juros futuros fechou em forte alta nesta segunda-feira (13), com avanço de mais de 20 pontos-base nos vencimentos de médio prazo, após a escalada de tensões no Oriente Médio.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 5 pontos-base e fechou a 13,955% ante 13,900% do fechamento anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,230% ante 13,980% do fechamento anterior, alta de 25 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, avançou 15 pontos-base e terminou o dia a 14,395% ante 14,245% do fechamento da última sexta-feira (10).
O mercado de títulos brasileiros acompanhou o desempenho dos títulos Tesouro norte-americano, os Treasuries, que fecharam em alta.
Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,281% ante 4,208% do ajuste anterior.
Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,624%, de 4,569% da última sexta-feira (10), no mesmo horário.
O que mexeu com os DIs hoje?
O cenário geopolítico voltou a pressionar a curva de juros futuros com a escalada dos preços do petróleo no mercado internacional e a retomada do temor de choques inflacionários.
O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para setembro encerrou com alta de 9,59%, a US$ 83,30 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
No último sábado (11), em meio a troca de ataques entre Washington e Teerã, , o Irã informou ter fechado o Estreito de Ormuz após disparar um tiro de advertência que atingiu uma embarcação que seguia por uma rota não autorizada e imobilizaram uma segunda embarcação no dia seguinte.
Já nesta segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA “provavelmente” assumirá o controle da via marítima e que devem ser reembolsados por controlar a via navegável, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial.
No início da tarde, o chefe da Casa Branca anunciou que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio ao transporte marítimo iraniano no Golfo e que vão garantir que o Estreito de Ormuz permaneça aberto — mediante pagamento.
Além disso, as Forças Armadas norte-americanas começarão a implementar um bloqueio marítimo ao Irã nesta terça-feira (14), segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pela Marinha dos EUA.
No cenário doméstico, o ambiente político concentrou as atenções. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias as visitas dele ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão ocorre após Flávio ter divulgado pelas redes sociais, no final de semana, uma carta na qual Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, colocou o filho mais velho como seu porta-voz na disputa eleitoral e pediu que possíveis diferenças sejam deixadas de lado. Em sua decisão, Moraes lembra que, ao conceder a prisão domiciliar a Bolsonaro em março, determinou a “proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros”.
Mais cedo, a pesquisa BTG/Nexus mostrou empate técnico na disputa pelo Planalto entre Lula e Flávio. Na simulação de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.