Renda Fixa

Juros altos expõem os riscos do crédito privado; veja os setores preferidos dos gestores

13 jul 2026, 18:44
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Para os investidores, isso significa mais risco e exige uma seleção mais criteriosa dos emissores (Imagem: iStock/Edson Souza)

Juros altos funcionam como uma faca de dois gumes para os investidores de renda fixa. De um lado, aumentam os retornos, especialmente nos títulos atrelados à Selic ou ao CDI. De outro, elevam o custo da dívida das empresas, comprometem a geração de caixa e aumentam o risco de crédito.

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Com a taxa Selic em 14,25% ao ano, o financiamento fica mais caro para as companhias. Ao mesmo tempo, o consumo desacelera, pressionando as receitas e tornando ainda mais difícil cumprir compromissos financeiros.

E o que isso tem a ver com a renda fixa?

No mercado de crédito privado, em que investidores emprestam dinheiro para empresas em troca de uma remuneração, juros elevados têm um custo. As companhias passam a destinar uma fatia maior do caixa para o pagamento de dívidas e reduzem a capacidade de investir no próprio negócio.

Para os investidores, isso significa mais risco e exige uma seleção mais criteriosa dos emissores.

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Neste momento, a maior parte dos agentes financeiros espera apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Depois disso, o espaço para novas reduções é visto como mais incerto. (leia mais aqui)

Os setores mais seguros da renda fixa

O relatório Perspectiva dos Gestores, elaborado pela Empiricus em julho, perguntou aos gestores de crédito quais setores da economia oferecem as melhores e as piores oportunidades de investimento.

As 20 maiores gestoras de crédito do país, que somam cerca de R$ 2 trilhões em patrimônio sob gestão, indicaram onde enxergam mais otimismo — e mais cautela — para alocação nos próximos meses.

O resultado mostra que apenas três setores aparecem de forma consistente entre os favoritos: transmissão de energia, financeiro e saneamento.

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Esses segmentos figuram entre as escolhas otimistas desde outubro do ano passado. O setor financeiro teve um breve recuo para a classificação neutra em abril, mas voltou ao grupo dos preferidos em julho.

Os segmentos de geração e distribuição de energia também seguem bem avaliados, embora com menor consistência. Mineração e óleo e gás passaram a receber avaliações mais positivas a partir de janeiro.

Com juros altos, alguns setores ficam para trás

Na outra ponta, agropecuária e consumo — principalmente o consumo discricionário, ligado a bens e serviços não essenciais — continuam entre os setores menos atrativos para os gestores.

Ambos aparecem na lista de maior cautela desde o ano passado. Como dependem mais de financiamento para crescer, acabam sendo especialmente afetados pelo elevado custo do crédito.

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Imobiliário, saúde, indústria, logística, transportes e educação também figuram entre os setores menos recomendados para investimentos em crédito privado.

Telecomunicações e materiais básicos, por sua vez, receberam avaliação neutra.

Fonte: pesquisa Empiricus com 13 gestoras de crédito, realizada entre 2 e 9 de julho de 2026. (clique para ampliar)

Crédito é, acima de tudo, uma questão de escolha

O principal desafio para os gestores hoje é identificar empresas capazes de manter receitas estáveis e gerar caixa suficiente para honrar suas dívidas, mesmo em um ambiente de juros elevados e inflação persistente — cenário que já dura mais de dois anos.

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Energia e saneamento, por exemplo, têm uma vantagem importante: prestam serviços essenciais. Além da demanda relativamente estável, muitas empresas desses setores contam com contratos de longo prazo e reajustes indexados à inflação, o que reforça sua previsibilidade de receita.

No setor financeiro, bancos também operam negócios considerados resilientes, capazes de atravessar períodos de juros elevados sem grandes perdas de rentabilidade — e, em alguns casos, até se beneficiar desse cenário.

Desempenho da indústria

Depois de meses de desempenho fraco, os fundos de crédito voltaram a apresentar resultados consistentes em junho. Cerca de 87% dos fundos de crédito corporativo e 64% dos fundos de crédito multiestratégia superaram ou igualaram o CDI, referência da categoria.

Embora abaixo dos 93% registrados em maio, o resultado reforça a continuidade da recuperação da indústria.

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Outro sinal positivo veio das captações.

Em junho, os fundos de crédito tradicional interromperam meses de saídas líquidas e encerraram o período com entradas de R$ 9,4 bilhões.

A maior parte desse fluxo foi direcionada aos fundos de alta liquidez, conhecidos como D0 e D1, que permitem resgate no mesmo dia ou em um dia útil. Os fundos D60+ também registraram saldo positivo, com quase R$ 300 milhões em captações líquidas.

Já os fundos de debêntures incentivadas, que oferecem isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos, seguiram na direção oposta.

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A categoria registrou resgates líquidos de R$ 23 bilhões em junho, marcando o terceiro mês consecutivo com saídas superiores a R$ 20 bilhões.

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