Com privatização à vista, JPMorgan eleva recomendação da Copasa (CSMG3) e quase dobra o preço-alvo
O JPMorgan elevou a recomendação para as ações da Copasa (CSMG3), passando de underweight (venda) para overweight (compra), e revisou de forma significativa o preço-alvo do papel.
A nova estimativa do banco norte-americano para dezembro de 2026 é de R$ 66, ante R$ 30 anteriormente, o que representa um potencial de valorização de cerca de 29% em relação à cotação atual, de R$ 51,15.
Em relatório, a casa destacou que a mudança de visão ocorre apesar de a ação acumular alta próxima de 80% nos últimos 12 meses. Acompanhe o tempo real.
Segundo o JPMorgan, a revisão da recomendação se apoia na rejeição de duas teses pessimistas que embasavam a avaliação anterior:
- Baixa probabilidade de privatização;
- Percepção de que as melhorias operacionais e regulatórias já estariam totalmente refletidas no preço dos papéis.
No caso da privatização, o banco avalia que o processo ganhou tração desde outubro de 2025, com avanços relevantes por parte do governo de Minas Gerais, como a aprovação da lei que autoriza a venda da companhia e o início das negociações para extensão das concessões com municípios.
Com isso, a casa passou a trabalhar com a expectativa de que a privatização possa ser concluída ainda no primeiro semestre de 2026.
“Nossa objeção se baseava no momento. A privatização da Sabesp, por exemplo, levou 18 meses, enfrentando muito menos atrito político. Para a Copasa, o cronograma parecia muito desafiador devido à falta de apoio político até o primeiro semestre de 2025”, escreveram os analistas Arthur Pereira e Victor Burke.
“No entanto, diversas medidas foram tomadas desde outubro passado, e a privatização poderá ser concluída até março ou abril”, prosseguiram.
Modelo de privatização
A dupla também detalha o modelo de privatização aprovado pelo governo de Minas Gerais. Segundo eles, a operação deve envolver uma oferta secundária de até 45% do capital da Copasa, sem emissão de novas ações.
Desse total, 30% seriam vendidos a um investidor estratégico, que terá compromisso de permanência no capital, com lock-up de 100% dos papéis por quatro anos e de 50% até 2033 ou até a universalização dos serviços.
Os 15% restantes seriam destinados a investidores institucionais — participação que pode chegar a 50% caso não haja investidor estratégico. O modelo prevê ainda limite de 45% do poder de voto por acionista.
Cenários à vista
Já em relação à avaliação, o JPMorgan argumenta que, mesmo negociando a cerca de 1,6 vez o EV/RAB (relação entre o valor da empresa e a base de ativos regulatórios), a Copasa ainda apresenta espaço para reprecificação.
A tese considera a possibilidade de redução de até 35% nos custos operacionais, além de ajustes regulatórios que permitiram à companhia reter parte dos ganhos de eficiência ao longo do tempo, em linha com o modelo adotado na privatização da Sabesp.
No cenário-base, que embasa o novo preço-alvo, o banco projeta um crescimento médio anual de cerca de 20% do Ebitda e de 15% do lucro por ação nos próximos três anos, impulsionado pela expansão da base de ativos regulatórios (RAB).
No cenário otimista, estima um potencial de valorização de até 90% para as ações, considerando cortes de custos mais agressivos, custo de capital menor e crescimento de volume acima do esperado decorrentes da privatização.
Já no cenário pessimista, a casa ressalta que o principal risco é a não conclusão da privatização, além de eventuais atrasos na execução do plano de investimentos, considerado essencial para o cumprimento das metas de universalização do saneamento.