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Como a comunidade cripto reagiu à prisão do pesquisador da Ethereum?

08/12/2019 - 9:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
O pesquisador da Ethereum foi preso porque o FBI alegou que ele estava repassando informações sigilosas para a Coreia do Norte (Imagem: Pixabay)

“Não cometa erros. Bitcoiners são revolucionários”
Nic Carter da Castle Island Ventures

Isso aconteceu no final de semana passado:

“O escritório da Procuradoria Americana do Distrito Sul de Nova York e o FBI anunciaram hoje que Virgil Griffith foi preso e acusado de violar as sanções americanas e viajar para a Coreia do Norte para ‘fazer uma apresentação e dar aconselhamento técnico sobre como usar criptoativos e a tecnologia de blockchain para escapar de sanções’.

‘Como alegado, Virgil Griffith forneceu informações muito técnicas para a Coreia do Norte, sabendo que essas informações poderiam ser usadas para ajudar a Coreia do Norte na lavagem de dinheiro e fugir de sanções’, disse o procurador federal Geoffrey S. Berman.

‘Ao fazê-lo, Griffith comprometeu as sanções que tanto o Congresso como o presidente aprovaram para pôr pressão máxima no regime perigoso da Coreia do Norte’.”

Por conta desses tipos de leis norte-americanas, Griffith pode ser condenado a até 20 anos de prisão (Imagem: CoinDesk)

Griffith é um pesquisador e cientista da Ethereum Foundation (EF). Em abril, ele foi (de “férias pessoais”, contra o aconselhamento de alguns de seus amigos da EF) até a Coreia do Norte para uma conferência cripto e apresentar aos participantes sobre “Blockchain e Paz”.

Tudo isso apesar de um indeferimento oficial de entrada do Departamento de Estado americano. Ele também parece ter facilitado uma transferência simbólica de ether da República Popular Democrática da Coréia (DPRK) para a Coreia do Sul, um “gesto de paz” unilateral.

Porém, alguém que viola esses tipos de leis norte-americanas pode ser condenado a até 20 anos de prisão.

É uma situação complicada, já que Griffith é um expatriado dos EUA que mora em Cingapura e, aparentemente, está em busca de mudar de cidadania.

Parece que ele sabia que estava indo contra a lei ao comparecer ao evento em primeiro lugar, mas dificilmente ele compartilhou segredos de estado que resultariam em uma acusação tão grave.

Quase todas as informações apresentadas estavam disponíveis publicamente.

Vitalik é o fundador da Ethereum e defendeu seu amigo publicamente (Imagem: Youtube/ ConsenSysMedia)

Vitalik Buterin defendeu seu amigo, dizendo:

“Eu me recuso a tomar o caminho conveniente de acusar Virgil porque eu realmente acredito que isso seria errado. Uma mentalidade aberta geopolítica é uma virtude.

É admirável comparecer a um grupo em que há uma pessoa treinada desde a infância a acreditar que é um Inimigo do Mal e escutar o que as pessoas têm a dizer. O mundo seria melhor se mais pessoas de todos os lados fizessem isso.

Na verdade, essa virtude dele compensa em outros múltiplos contextos; melhorou as relações com a Ethereum Classic, Hyperledger e outras [editado: Virgil está trabalhando para certificar a Ethereum como cumpridora à Xaria, então ele é um grande defensor geral da inclusão financeira].

Eu não acho que Virgil deu qualquer tipo de ajuda à DPKR de forma ruim. Ele deu uma apresentação baseada em informações disponíveis publicamente sobre software de código aberto. Não havia nenhuma “tutoria avançada” e esquisita sobre hack.

Então eu espero que os EUA demonstrem força em vez de fraqueza e foquem em corrupções genuínas e nocivas e que todos os países enfrentam em vez de irem atrás de programadores que dão palestras reproduzindo informações públicas.”

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Qual foi o limite que ele ultrapassou? Provavelmente, o limite da desobediência aos EUA.

De fato, a queixa observa que Virgil foi cooperativo (ingenuamente) com o FBI durante uma entrevista seguida da conferência, e que ele até mostrou aos agentes fotos e documentos da reunião, dizendo que ele gostaria de retornar à conferência em 2020.

Dificilmente Virgil parece o tipo de cara que merece uma longa sentença por ingenuidade, e eu espero que ele tenha um bom advogado.

Mas vamos voltar e pensar sobre o limite que ele ultrapassou.

Isso é, a entrada em uma batalha de grande risco e baixa recompensa ao ir para a Coreia do Norte em primeiro lugar. Estamos apenas começando a lutar em uma guerra a longo prazo para certificar que cripto sobreviva, e isso não foi uma ação muito inteligente para qualquer um que represente a ampla comunidade cripto.

A Coreia do Norte é conhecida por seu regime rígido e ditatorial, pois faz todo tipo de proibição a seus cidadãos (Imagem: Pixabay)

Enquanto isso, Laura Shin, jornalista de cripto, teve uma visão mais prática:

“Vejo muitas concepções erradas sobre a Coreia do Norte. É importante entender o que torna esse país diferente antes de você formar uma opinião sobre a situação de Virgil.

Basicamente, a Coreia do Norte é uma prisão disfarçada de país. As pessoas não podem sair, não podem viajar para fora de suas próprias cidades sem autorização. Elas não podem nem externar seus próprios pensamentos.

Se um norte-coreano verbalizar um pensamento que não está alinhado com a propaganda do regime ou cometer algum tipo de crime visível, eles arriscam não apenas serem enviados a um campo prisional, mas também de terem a sua família inteira levada para lá e as próximas gerações nascerem, viverem e morrerem lá.

Você pode ser punido por assistir a um filme estrangeiro, por conversar com um estrangeiro… Basicamente por fazer qualquer coisa que não demonstre total lealdade à família Kim. Existe um alto-falante em cada que vomita propaganda norte-coreana o dia todo.

Eu vejo pessoas dizendo que não é um crime ajudar os norte-coreanos. Porém, a única forma de ajudá-los é em segredo. Qualquer atividade pública entre um norte-coreano e um estrangeiro é com a ditadura, não com pessoas do dia a dia.

O regime busca relações com estrangeiros porque as legitimiza. E NUNCA deixa que os cidadãos interajam com estrangeiros porque isso introduz a possibilidade de os cidadãos terem prova de que tudo o que o regime conta para eles são mentiras.

Eu também vejo as pessoas dizendo que isso magoa os cidadãos norte-coreanos. Talvez seja isso, mas Virgil estava supostamente ajudando o regime a evitar sanções. E se você acha que o regime vai pegar dinheiro dos criptoativos para alimentar sua população, então você não sabe nada sobre a Coreia do Norte.”

A Coreia do Norte pretende lançar sua própria criptomoeda, mas será que essa tecnologia será usada pelo bem da população? (Imagem: Pixabay)

Em outras palavras, esse simplesmente não foi um cálculo político inteligente.

O campo de batalha é importante se você for um insurgente lutando contra poderes muito maiores e perigosos. Você não pode ajudar a insurgência se você estiver atrás das grades por 20 anos ou até por dois dos anos formativos de cripto.

Isso pode fazer muitas pessoas pensarem sobre o jogo de alto risco que estamos jogando ao criar uma tecnologia de informação que retira o estado de um poder central.

Nic Carter demonstrou esse sentimento perfeitamente em sua publicação há alguns meses, intitulada “Uma Revolução Bem Pacífica”, que você deveria ler HOJE se ainda não leu.

Se você considerar que cripto é a última linha de defesa contra um estado de vigilância global e, afinal de contas, autoritarianismo global (como eu infelizmente considero), então os precedentes estabelecidos em casos assim são extremamente importantes.

Precisamos ser dez vezes melhores que o sistemas que planejamos substituir se as cripto têm alguma chance de serem bem-sucedidas.

Se perdermos a superioridade, não teremos chance alguma.

Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 29/12/2019 - 20:25