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Como blockchain pode evitar o desperdício de dispositivos eletrônicos

01/06/2020 - 11:54
Lixo eletrônico é um problema que o blockchain pode resolver, pois a tecnologia pode fornecer rastreamento desde a produção até o uso final de dispositivos (Imagem: Pixabay/INESby)

Lixo eletrônico (do inglês “e-waste”) é um grande problema ambiental, já que, a cada avanço, diversos equipamentos eletrônicos se tornam obsoletos e muitos não são reciclados.

Segundo um relatório de 2019 da ONU, 44 milhões de toneladas de eletrônicos são desperdiçados a cada ano e apenas 20% vai para a reciclagem. Estima-se que 120 milhões de toneladas de lixo eletrônico serão produzidas anualmente até 2050.

Devido à tecnologia inovadora do blockchain, empresas desse setor buscam resolver esse problema de lixo eletrônico, aumentando a vida útil de dispositivos eletrônicos ultrapassados.

Segundo o site Decrypt, Everledger, empresa londrina fundada em 2015, busca rastrear de onde vêm materiais utilizados na fabricação de bens luxuosos, como diamantes.

“Eu parei e pensei: ‘qual poderia ser a cadeia de suprimento mais conflituosa no mundo em 2030 ou 2050?’ É evidente que o consumo de baterias, veículos e dispositivos elétricos sofrerão as maiores transformações”, afirmou Leanne Kemp, CEO da Everledger, ao Decrypt.

Baterias elétricas dependem de minerais naturais raros, como lítio, cobalto e cádmio, e são danosas ao meio ambiente quando são processadas de forma incorreta.

Kemp afirma que fabricantes de baterias podem aproveitar os benefícios do blockchain por meio de consenso para que dispositivos interajam com o blockchain e melhoria de segurança.

Everledger busca fornecer um “passaporte de baterias” para veículos elétricos e ajudar empresas de reciclagem a determinarem a saúde, localização e condição de uma bateria. Logo, com esse rastreamento, poderão saber quais metais podem ser reutilizados e fazer o descarte correto de produtos.

Os testes sendo realizados com o Departamento de Energia dos EUA buscam entender onde a tecnologia blockchain deve ser aplicada.

Com Nimbus, celulares antigos poderão funcionar como novos, evitando o desperdício em série quando um produto substitui o outro muito rapidamente (Imagem: Pixabay/andreahuyoff)

Outro exemplo é Status, uma empresa de desenvolvimento de software para blockchain, que deseja aproveitar ao máximo equipamentos antigos. A empresa está desenvolvendo Nimbus, uma ferramenta que deve ajudar smartphones antigos a funcionarem como novos.

HotCity é uma iniciativa do governo austríaco de fornecer recompensas para quem fornecer informações sobre desperdício pela cidade. Os pontos de recompensa serão disponibilizados no blockchain público Ardor.

Porém, o setor blockchain não é o bonzinho quando se fala em desperdício. O setor que mais contribui com o lixo eletrônico é o de mineração de bitcoin, pois máquinas obsoletas são descartadas por não terem outra utilidade nem reciclagem.

Segundo o Digiconomist, uma única transação de bitcoin equivale a 1,77 bolas de golfes e mais do que o dobro de lixo eletrônico produzido por mais de 10 mil transações da Visa.

Por conta do halving que aconteceu no mês de maio, máquinas ultrapassadas foram direto para o lixo, pois não geram tanto poder computacional quanto os modelos mais modernos.

Segundo Alex de Vries, fundador do site Digiconomist, “a única forma de tornar o bitcoin realmente sustentável é substituir o mecanismo de mineração”, sugerindo que o mecanismo proof-of-stake é uma alternativa menos agressiva que o proof-of-work.

A tecnologia blockchain precisa melhorar ainda mais para resolver essas questões energéticas e ambientais.

O blockchain também fornece melhorias a setores já existentes, como o de cadeia de suprimento (para o rastreamento de produtos, desde sua fabricação a seu destino final), na área da saúde, no setor automobilístico e no de pagamentos.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 01/06/2020 - 12:01