Taxa Selic

Como guerra no Irã e alta do petróleo impactam Copom hoje? Veja projeções das principais casas

18 mar 2026, 7:00 - atualizado em 17 mar 2026, 17:04
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(Imagem: Canva Pro)

O que era dado como praticamente certo já não é mais consenso no mercado. Até poucas semanas atrás, a expectativa dominante era de que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciaria o ciclo de cortes neste mês com uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic. Agora, o cenário mudou de forma relevante: a aposta majoritária migrou para um corte mais tímido, de 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 14,75% ao ano.

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Há ainda quem vá além. Diante da piora recente no ambiente macroeconômico, algumas casas já não descartam sequer a manutenção dos juros no patamar atual, em 15% ao ano, adiando o início da flexibilização monetária.

Essa virada de humor não aconteceu por acaso, e tem nome e sobrenome: inflação e cenário global.

Relatórios recentes indicam que o pano de fundo para a decisão do Banco Central se deteriorou desde a última reunião. A XP Investimentos, por exemplo, afirma que “o fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom piorou o cenário para a inflação”.

Os economistas da XP sinalizam que, apesar de o comitê ter sinalizado que poderia dar início ao ciclo de flexibilização monetária, o panorama atual não é o “cenário esperado” para que o movimento se concretize.

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Um dos principais vetores dessa mudança é a guerra no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo disparar. Segundo a casa, enquanto o BC trabalhava com preços ao redor de US$ 60 por barril, a commodity voltou a se aproximar dos US$ 100, elevando significativamente as projeções de inflação no horizonte.

O UBS BB também chama atenção para o ambiente externo mais instável, destacando que “o aumento das incertezas no cenário internacional e o recrudescimento de tensões geopolíticas […] tornaram o ambiente para a atuação dos bancos centrais mais complexo”.

Além do choque externo, o cenário doméstico também contribui para a cautela. A economia brasileira segue resiliente, com mercado de trabalho aquecido e avanço da renda real, o que sustenta a demanda interna. Para a XP, esse movimento já aparece nos dados recentes, com indicação de aceleração da atividade no início de 2026.

Ao mesmo tempo, a inflação segue longe de um conforto pleno. O UBS ressalta que “a inflação de serviços permaneceu mais elevada e com desinflação apenas gradual”, refletindo uma dinâmica ainda pressionada nos componentes mais persistentes.

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O que importa: a inflação de 2027

Mais do que a decisão desta quarta-feira (18), o mercado deve voltar os olhos para um ponto específico da comunicação do Banco Central: as projeções de inflação, especialmente para 2027.

Esse horizonte é considerado o mais relevante para a política monetária e funciona como uma espécie de bússola do Copom. É ali que o BC sinaliza se acredita, de fato, na convergência da inflação para a meta. Qualquer revisão nesse número pode mudar completamente a leitura da decisão.

O Itaú BBA já trabalha com esse cenário de mudança. Segundo o banco, considerando o câmbio ao redor de R$ 5,20 e o petróleo próximo de US$ 85 por barril, a projeção de inflação para o horizonte relevante (3T27) deve subir de 3,2% para 3,4%.

Na avaliação da casa, “essa piora não inviabiliza o início da flexibilização”, mas deixa o cenário no limite do que seria confortável, o que reforça a expectativa de um corte mais comedido — no caso, de 0,25 ponto percentual.

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Outras leituras caminham na mesma direção. O UBS destaca que “diferentes medidas de núcleo e, sobretudo, os serviços subjacentes continuam apresentando ritmo elevado”, o que sugere uma convergência mais lenta da inflação.

Já a XP observa que “as expectativas inflacionárias se estabilizaram acima da meta de 3,0%”, indicando que a ancoragem ainda não está totalmente consolidada.

Na prática, o mercado quer entender se o Banco Central continua confortável com a trajetória da inflação no médio prazo, ou se os recentes choques, como a alta do petróleo, já começam a contaminar esse cenário.

Se a projeção de 2027 subir, mesmo que marginalmente, o recado tende a ser  de que o espaço para cortes de juros pode ser menor do que o esperado.

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BC pode ignorar o próprio “forward guidance

Outro ponto central da decisão será a comunicação do Copom, especialmente após o uso recente de forward guidance – ferramenta que, desde a entrada de Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, não está sendo muito utilizada.

Em teoria, esse instrumento ajuda a sinalizar os próximos passos da política monetária e também serve, mesmo que de forma empírica, para dar mais confiança ao BC.  Na prática, porém, o cenário atual pode exigir justamente o oposto: menos compromisso e mais flexibilidade.

O UBS chama atenção para esse risco ao afirmar que, em momentos de maior incerteza, “compromissos antecipados sobre a trajetória futura dos juros podem limitar desnecessariamente a flexibilidade da política monetária”.

A leitura do BBA vai na mesma linha. Para a entidade, o Banco Central deve reforçar que o momento exige “cautela e serenidade na implementação da estratégia”, deixando claro que o ritmo e a magnitude do ciclo dependerão da evolução dos choques inflacionários.

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Diante desse quadro, os analistas avaliam que o Banco Central deve evitar se prender a um roteiro pré-definido e reforçar uma comunicação baseada em “dependência de dados”.

No fim, a mensagem implícita deve ser de que o Copom até pode começar a cortar os juros, mas não está disposto a apostar o controle da inflação em um cenário ainda tão instável.

Vejas as principais apostas para a reunião do Copom desta quarta-feira (18)

Casa Corte março
XP Investimentos manutenção
Genial Investimentos 0,50 p.p
Citi 0,25 p.p
BB Investimentos 0,50 p.p
BTG Pactual 0,25 p.p
Ágora Investimentos 0,50 p.p
Santander 0,25 p.p
Bradesco BBI 0,50 p.p
Itaú BBA 0,25 p.p
UBS BB 0,25 p.p
JP Morgan 0,25 p.p
BofA 0,25 p.p
Goldman Sachs 0,25 p.p
Warren 0,50 p.p
C6 Bank 0,25 p.p
Inter 0,25 p.p
Safra 0,25 p.p
Asa 0,25 p.p

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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